Sueli ou as paixonites nossas de cada dia

Paixonite é uma coisa séria, tinha escrito um negócio imenso, com cara de blog, cheiro de blog, jeito de blog, mas não aguentei o enlevo da newscoisa e mandei por lá mesmo (mas deixei salvo no rascunho daqui, porque a terra é redonda, capota e sei lá quanto tempo dura essa brasa).

Uma verdade intolerável: Não importa se os finais são felizes, mas se são bem roteirizados.

A próxima semana será louca. As próximas, talvez. Eu me sinto fazendo vários nadas e mesmo assim não estou cabendo nem nas horas do dia e me meti a lecionar disciplina com 60hs em 6 semanas. Como diria no Ceará: queeeeima, quengaral.

Diz o Darín que depois da pandemia vai procurar sua namorada brasileira e eu já estou mudando meu nome para Sueli.

Na calçada do pequeno café fico espiando os que passam. Sei da artificialidade do momento, apesar de sempre ter feito isso: olhado as pessoas. No ônibus circular que pegava sem necessidade, subindo e descendo na mesma parada, o mesmo roteiro ignorando janelas, espiando pessoas entrarem e saírem do ônibus nos variados bairros da cidade, seus sorrisos e ansiedades e pesos carregados e pares e afetos e cansaços. Ou as horas passadas nos bancos das praças, a escolha das profissões, o turismo errante. Mas aqui, a mesinha de ferro instável, a xícara miúda e o cigarro que seguro errado e chupo no lugar de tragar, tudo isso me faz lembrar um mau personagem de filme de baixo orçamento. Paciência, não saberia mesmo viver sem roteiro. Ou sem trilha sonora. Baixinho, escuto o vento assoviando uma melodia do Morricone. Vejo a brasa se aquietando na ponta do cigarro, chupo, ávida, e uma parte significativa dele desparece. Não sei aproveitar o fumo, é a imagem o que me interessa, acendo um no rescaldo do outro, como se a chama fosse a garantia de me manter em cena. Então, estico a coluna, aceno pedindo outro café e olho, olho, olho. Quanto mais vejo gente, mais perto, mais dentro, mais sinto os passos deles todos, leves, arrastados, tensos, animados, atrasados, doloridos, trotando no peito. Ser gente é um aprendizado. Que me inquieta. Não sei mesmo beber essas poções minúsculas de café. Engulo em um trago único, o quente justificando o lacrimejar. As pessoas, borradas, fazem um repentino sentido. Viver é esse desfile de vidas das quais quase tudo ignoramos, na rua os transeuntes apenas surgem e desaparecem mais rápido. No dia a dia, alguns já estavam quando chegamos, o tanto que não vivemos com eles. Outros se vão antes de nós, o tanto que nos obrigamos a viver essas solidões. Mais um cigarro, outro café ou um licor? Lembro o que esqueci: o salto alto. A sapatilha vermelha não faz o barulho adequando quando movimento, impaciente, o pé de encontro à calçada. Como eu disse, baixo orçamento. Uma taça de vinho e a conta. Há de se estar sempre pronta pra partir. Na notinha que o garçom, figurante elegante, traz: café, café café, nem conto quantos. Deixo o dinheiro displicentemente sobre a mesa. Uma ensaiada displicência. Devia saber qual meu melhor ângulo, mas de que adiantaria, também não sei onde bate a luz. Respiro e lembro de soltar o corpo. Faz de conta que. E dobro a esquina, ainda buscando, ainda espreitando, olhando. Ao longe, vejo uma mulher de quem pareço intuir alguma coisa, mas é breve e logo volta a seer mistério, uma mulher de ar confuso, olhos tristes, roupas desalinhadas. E sapatilha vermelha. Vitrine.

Ontem aquele homem asqueroso arrancou as cruzes da areia na manifestação silenciosa do Rio de Paz. Hoje um grupo invadiu hospital, chutou portas nas alas de pacientes com Covid e derrubou computadores. Eu não tenho mais condição de lidar com este Brasil.

Eu pensava que nunca tinha te dito um eu te amo. Acho que não disse mesmo, mas escrevi. Encontrei entre cartas antigas (posso chamar email velho assim?) e me espantei de ter sido essa coragem.

Instagram é um perigo para meu coração bandoleiro: dois, três dias seguindo alguém desconhecido e eu já me sinto íntima, mandando coraçãozinho.

Tenho tirado mais selfies. Nem sempre ficam boas. Ontem tirei, sem querer, fotos das minhas pernas. Ficaram ótimas.

A gente vai aprendendo a morrer. A gente, como você, sou eu, sempre. Onde diz sempre, quero dizer, quando for aqui. Confuso, não é? Ando me sentindo assim. Você também? (neste caso, excepcionalmente, você não sou eu, tese do Nerson da Capitinga). Mas, dizia eu, vou aprendendo a morrer, que é uma outra forma de dizer seguir em frente. Ou apenas seguir, sem muito senso de direção.

Ontem foram mimosas e caponata e patê de salaminho e eu quase truquei o Tom Jobim e acreditei que era possível ser feliz sozinha (e é, tipo morar só, viver só, ser uma só – que é o que todos somos. Mas também é preciso o faz de conta dos encontros, as ilusões de encaixe, o sorriso bobo quando você disse que a gente se entendia).

De tudo que foi na newscoisa, mantenho duas verdades aqui:

É muito gentil da sua parte me emprestar roupa e deixar entrar no salão iluminado, mas meu corpo é grande demais, minha voz é falha demais, eu vim de nenhum lugar, não tenho horizonte, não trago ouro nem incenso nem mirra e acabo esbarrando na mesa, derrubando alguma coisa, derramando o vinho na roupa, cruzando a perna e revelando o furo na sola do sapato, não adianta o disfarce nem os enfeites, meu pé não é do tamanho do seu.

Quem só vem por aqui e quer saber da newscoisa: https://tinyletter.com/Garrafinhas_da_Lu

você só tem que me dizer o que dói, onde e quanto

Trazido do Borboletas, de maio de 2016
Identidade: vejo futebol domingo meio dia.
 
Eu sei que sou uma pessoa legal. Mas não veio com algum tipo de esforço ou mérito. Mas uma coisa eu conquistei: a falta de vergonha de dizer. Eu digo. Digo mesmo. Digo a raiva. A dor. Digo a inveja. Digo o afeto. O encanto. O amor. Digo eu te amo. Digo muito. Digo sem vergonha. Dizer é uma conquista minha.
 
 
 Foi quase sem querer. O jogo de futebol às onze mudando todo o ritmo do domingo, a tarde preguiçosa se estendendo meio inútil às minha frente: um filme. Uma zapeada e encontrar Binoche. Eu vejo qualquer filme em que ela esteja. Selo de garantia. E ainda tinha o nome: Palavras e Imagens. E o mote: uma disputa entre uma professora de pintura (Dina) e um professor da língua (Marcus).
 
Nem é um filme novo. Tem essa vantagem em ser distraída como sou: de repente, uma aventura. Poderia ser apenas mais uma comédia romântica com momentos de melodrama. E quase é. Se. Se não tivesse a Binoche. E personagens fora do padrão. O mocinho, alcóolatra. A mocinha, artrite reumatóide. O drama: perder o emprego, os vínculos com o filho, a saúde. Uns momentos previsíveis. Ouros bonitos. E boas palavras. Bem usadas.
 
Um filme esquecível. Se não tivesse a Binoche. E se seu personagem não tivesse que reinventar o seu ofício, reinventando-se, a partir da mudança funcional do seu corpo. Eu pintava o mundo que podia ver. Agora vejo o mundo que posso pintar. Ou algo assim (saudades de ver os filmes em cassete e voltar aos diálogos pra transcrever direitinho).
 
O filme nos joga em perguntas: o que traduz melhor os sentimentos, o mundo, a vida, palavras ou imagens? Em quais delas podemos confiar? O que nos ampara e norteia? O que nos faz avançar? O que nos humaniza? E a dúvida que não está no filme, a não ser como resposta, mas que sustento como questão: há uma resposta única?
 
No próprio filme disputam imagens e palavras. Por um momento a gente se deixa convencer pela imagem: Binoche, um casaco vermelho, um lenço azul escuro. No momento seguinte, o diálogo mais tocante. Perto do fim do filme, o momento da disputa oficial, imagens X palavras e o moço, claro, usa as palavras para dizer que não importa se poema ou pintura, importa onde nos levam, nos elevam, etc. Mas eu, se fosse roteirista, teria terminado a fala dele assim: diante desses artistas, Shakespeare ou Dina, só nos resta a gratidão. E obrigado, claro, é uma palavra (é que eu não esqueço a marquesa: “traição não é sua palavra preferida? – não, crueldade. É mais imponente”).
 
Mas antes de me perder, quero dizer da imensa beleza das imagens-movimento de Juliete em sua casa-oficina-estúdio. Li por aí que as telas que aparecem no filme são mesmo dela. Quanto talento cabe em um corpo? Mas nem era essa a beleza. Do corpo. Mas a da limitação do corpo. A beleza dos exercícios. Dos pincéis enormes, para assim poderem ser manuseados. Da cadeira com rodinhas para facilitar o deslocamento. A beleza da vulnerabilidade conjugada com a força.
 
  
O filme corre pro inevitável romance entre os personagens centrais. É quando eles estão se preparando pro rala e rola que ela diz: “você tem que ter cuidado, com o meu corpo” e ele responde: “você só tem que me dizer o que dói, onde e quanto.”
 
É uma crença ingênua, a do personagem Marcus. Uma crença que partilho, quase sempre. A de que as palavras serão o suficiente. Basta isso: a coragem do enunciado. Abre-te sésamo e estaremos diante dos tesouros. É só me dizer o que dói, onde e quanto e não nos machucaremos. Faça um esforço, respire mais fundo e tenha coragem de dizer: não me machuque. E, ainda assim. Eu não vou te machucar, a gente promete e acredita para, no momento seguinte, cair em cima da tela recem pintada.
 
Pessoas fazem merda. Pessoas legais. Pessoas gentis. Pessoas boas. Fazemos merda. Mesmo que tenham nos dito, com esforço: o que doía, onde e quanto. Dizer é indispensável, mas não é garantia. A gente esquece. Eu esqueço. Eu esqueci. Que as palavras não bastam. Não é o suficiente saber o que dói e quanto dói. As palavras não serão o suficiente porque nada, nunca, será o bastante. Somos humanos e há, no que não está dito, a vulnerabilidade que nos estrutura.
 
Às vezes nos dizem o que dói. Onde. Quanto. E mesmo assim. 
 
O que resta saber: “desculpe” também é uma palavra.
 
Eventualmente, inútil. Mas nunca dispensável.

Espírito dos Tempos

1.262 mortos oficiais (porque a subnotificação está comendo de esmola). Passamos de 30.000 mortes, o país devia estar de luto, mas seguimos, imperturbáveis, com tendência a depreciar e desprezar a humanidade do outro.

Todo dia eu tento encontrar um jeito de viver esses dias que temos pra viver mas reconheço a minha incompetência. Eu sentia muita tristeza. Mais tristeza que tudo. Aí passei a sentir mais raiva que tristeza. Tanta, tanta. E voltou a tristeza, mais cruel, mais afiada, mais espaçosa, mais exigente.

O quanto é ridículo ficar falando da minha, minha, minha, minha dor?

Creme de abacate com colher de sopa e café.

Dois livros, muitas lágrimas, uma reunião, três artigos e a escrita de um conto que, de certa forma, parece acontecer em um universo paralelo.

Pensei em fazer oficina de escrita porque, né, se nada mais resta, ler e escrever. Ou, como meu pai me aperreia: escrever pra ler. Mas a vida deu uma endoidada (ia escrevendo enlutada, muito bem, seu inconsciente), então parece que não.

Encontrei uma boa gravação de um dos episódios da Comédia da Vida Privada, justamento um dos que mais gosto. Foi ontem de madrugada e já fui assistindo. Aí vi hoje de manhã também. Vi de novo no fim da tarde. Estou planejando ver mais uma vez, daqui a pouco. Cada um com sua droguita.

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“eu fui namorada dele, mas faz horas”

Enquanto eu for, meus amores que foram, são. Somos. Todo amor é eterno enquanto eu dure.

Não sei se é por ser madrugada, por ser em língua outra, por ser memória, mas eu nunca fui mais linda e mais eu que nas suas palavras rabiscadas em dedicatórias de livros e discos. E a gente nem se amou.

Se você que não sonha – quase nem dorme – acorda sonhada com uma história que, nunca, nunca, não vai ser, não vai dar, mais que improvável, quem você pensa que é, rá, então talvez seja hora de se beliscar.

Como descobri que só vou conseguir, no agora, escrever aqueles textos de batom borrado, garrafas vazias, lençóis amarfanhados, cotovelos doloridos, olhos ressacados, horizontes esfumaçados e afins, fiz playlist no youtube chamada manguaça. As colegas de blog que prendam o fôlego que o mergulho vai ser punk.

Daí que você tem uma boca imensa e um filtro desgastado. E diz que ah, queria. Fazia. E tudo. E ela diz: te apresento. E você ri. É brincadeira, claro. Mas você cora. É a rosácea, não sou eu. Claro. Você muda de assunto. Você volta pro assunto. É brincadeira. Claro. Morde a língua.

Não alimente a besta, luciana, ela te devora de dentro pra fora.

Entreabrir a persiana ou escancarar a janela não faz diferença, será dia enquanto for e, depois, não mais. Vale o mesmo pro amor, acho. Das coisas que eu gostava em você: o sorriso bobo no meu rosto. Agora, no espelho, me olha de volta um vazio compenetrado.

Era uma vez um homem-lua, uma cama grande, janelas com vista pro mar, roteiro do programa de jazz em rabiscos, mãos gentis e pratos de panqueca. Era uma vez um homem-lua, óculos redondos, peito amplo, prata nos pêlos. Era uma vez um homem lua que enfeitiçava relógios em tardes preguiçosas em um tempo que já era tarde demais. Era uma vez um homem-lua e sua voz doce e triste de quem sabia que mesmo sem saber quantos dias seriam, conhecia que seriam poucos.Era uma vez um homem-lua e sua voz doce e triste  de quem compraria passagem, arrumaria mala, minguaria aqui e levaria a vista pro mar por trás de pálpebras úmidas. Era uma vez um homem-lua e sua voz doce e triste de quem abriria espaços, estenderia a mão, faria convites que veria recusados. Era uma vez um homem-lua e sua voz doce e triste de quem partiria sem querer ficar. Sem querer que ninguém ficasse.

Eu vivi tantos amores eternos que só Vinícius na causa.

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É claro que eu acho que todo mundo devia ficar bem guardadinho dentro de casa, sem ir pra rua nem nada, até a pandemia entrar em outro estágio (controle, vacina, eteceteras). Daí eu lembro que tem gente sem casa. Tem gente sendo assassinado, dentro de casa, pela polícia, se a casa for na favela ou periferia. Tem indígena e quilombola sendo perseguido porque quer preservar sua casa. Tem gente obrigado a sair de casa porque as regras de confinamento tão relaxando e a pessoa não pode perder o emprego que sustenta a família. Tem gente que não recebeu o miserável auxílio de 600 reais e tem que ir pra rua vender o que puder ser vendido. Tem gente sendo pressionado e ridicularizado pelo “medinho de uma gripe” porque esse é o discurso do governo federal. Tem a ameaça à educação todo tempo, com a gente em casa ou não, via enem, future-se, livro didático pra criança de educação infantil. E< aí eu acho que temos, sim, que ficar dentro de casa guardadinhos, mas que também temos que pressionar o governo em todas as suas instâncias pra que isso seja possível pra maior parte da população. E que lindas as manifestações antifascistas das torcidas organizadas e que lindo o ato Vidas Negras Importam, hoje, no Rio. Gente de coragem. Gente de luta. Gente que me anima a ser gente. É pra isso o ficar vivo.

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Coloquei essa imagem como foto de capa lá no FB e já teve mais de 1.000 compartilhamentos. Isso é que é espírito do tempo, hein.

Teresa, unhas vermelhas e toda a dor todo dia

Você só quer me comer. Acho pertinente. E fico. Podia ser tão melhor, depois. Mas você nem cruza a vista. Queria explicar que sou a Teresa naquele momentinho que Tomás a vê dançando com o colega. Eu me ajusto. Não tinha de ser você. Mas é. Era. Foi. Você podia aproveitar mais.

Fiz uma lista no spotify e depois reparei que nunca fiquei tão nua.

Vocês também tiram o sutiã pra respirar melhor?

Um grito até que teus ouvidos não soubessem ouvir outra voz que não a minha.

O engraçado de fotos antigas é re-conhecer que fui uma mulher de unhas vermelhas.

Nelson Rodrigues diz que “depois de matar, o criminoso se torna secundário, ou nulo, e repito: some como se jamais tivesse existido”. Parece-me, a princípio, que assim é com o escritor. Ele não importa, o que importa é a sua escrita. Ou, antes, o que importa é o que está escrito. É o texto que é, não o autor. Digo, reluto, e retorno. Flaubert me vem: Madame Bovary sou eu. O escritor é o criminoso rodrigueano, mas é também a vítima. Ele está no dito mesmo que não se confunda com ele. Quem se equilibra na ponta da pena e faz, dela, lâmina, pra escrever o último bilhete. Se possível, unhas vermelho sangue.

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Tem coisas que pararam de me magoar e eu faço apenas um juízo estético mesmo. Aquele “que deselegante” encontrou seu lugar em mim.

Status: murchando.

era uma vez uma esperança. era.

ganhei a serenata. se eu não fosse quem sou, ficaria mais feliz?

não é que eu quisesse comer cheesecake. eu queria era sentar no apertadinho do “Melhor Bolo de Chocolate do Mundo” depois de bater perna em Campo de Ourique.

Me mandaram me cuidar, comer e tal. Obedeci. Uma vezinha só no dia, mas ganho estrelinha pela intenção, acho. Eu tenho um certo receio de comer/fazer as comidinhas que gosto. Por um lado eu sinto que me confortam, me acompanham, me sustentam. Mas tenho medo de num dia que será – se vierem a ser – elas saberem sempre a solidão, angústia e perda.

De tantas coisas que sinto nessa quarentena, o que não sinto é tédio.

Não tivemos, não temos e não teremos ações que possibilitem à maior parte da população ficar em casa. Não tivemos, não temos e não teremos ações significativas de proteção, cuidado e amparo aos profissionais dos serviços essenciais. Não tivemos, não temos e não teremos um governo federal que coloque o Estado à disposição para cuidar, proteger, zelar pela população. Resta ficar apelando para a sensibilidade individual dos poucos que podem, podem inclusive ficar em casa. E isso faz tudo doer ainda mais. Mais de 1.000 mortos em um dia. E todo mundo falando em reabertura. É angustiante. Lá fora Polícia Federal, operações com mortes no Rio de Janeiro, o policial branco matando um jovem negro nos EUA. Que ainda seja a vida de sempre é espantoso. Mas me expresso mal: a morte de sempre. A indiferença de sempre à morte de quem “não importa”.

Banguela

de tudo, é de mim que sinto mais saudades.

A sensação de completa inadequação, depois de anos de esforços frustrados e rebeliões controladas, tomou conta das chaves, hasteou bandeira, matou ou mantém aprisionados – e devidamente amordaçados – os outros habitantes do forte e agora vaga, solitária, pelos corredores vazios, gemendo alto só pra ouvir o eco. E, precavida, empilha todos os “nunca mais” que fantasia bem em frente ao portão, como quem faz barricadas contra improváveis missões de resgate, que ela chama de tentativas de invasão pra dar alguma legitimidade à aridez.

Não sei (ou não lembro – olha o microspoiler), quem disse que o segredo da felicidade é saúde boa e memória ruim. Pensava eu, ingênua, que era pra ir esquecendo as coisas doloridas que nos aconteciam. Mas fui descobrindo que é quase o contrário. Vou embaciando a felicidade pra conseguir respirar.

“amar é dar o que não se tem” – tão bonitinho, quase altruísta. Não perder de vista a sequência: “a alguém que não o quer” – muito menos consolador, não é? só o que temos a oferecer é o nosso vazio.

Nunca diga desta água não beberei porque quando você repara está se afogando na síndrome de impostora.

Nos livros da Agatha Christie de vez em quando pinta um militar reformado, major ou coronel, talvez, daqueles que vivem de glórias passadas. Costumeiramente, um chato. Sinto-me cada vez mais afinada com eles.

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A verdade é que abdiquei de marchas e embreagem, agora vou descendo a ladeira na banguela, regulando só no freio.

Bem agora está escuro, chove e venta muito. Dá quase pra se ouvir a melancolia escorrendo nos telhados ou dos meus olhos.

é irônico lembrar que há pouquinhos dias eu estivesse pensando em fazer uma news letter.

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Amizade à Bulhão Prato ou Celebrando Renata

Sempre que vou celebrar Renata Lins, eu esqueço mais um pouquinho da história. Tudo que é lembrança vai se tornando sentimento. Já nem sei o primeiro contato, o primeiro comentário, o primeiro abraço. Nem o último, a ser sincera. Renata Lins é daquelas que se torna um sempre, na vida.

Ela disse que, hoje, teria vôngoles. Eu disse que ia ao mar, com ela. É isso que eu sinto: vontade de estar perto. Quem não quer? Renata tem aquele sorriso quente, iluminado, tem a palavra em riso, tem sabedoria, humor, tem aquele dito que rasga o óbvio e nos deixa ver tantas belezas possíveis.

A Renata é afetuosa, doce, sensível e sabe dar voadora no meio da pleura, sem nem piscar. É, também, inteligente, culta, erudita e faz piadas 5a série B tão naturais que a gente se pergunta porque a linguagem não é sempre assim. Renata é daquelas raras pessoas que sabem dizer não e é com ele que se começa conversas, um não daquele que abre caminhos.

Eu geralmente não encontro, de corpo e abraço, a Renata no aniversário dela, mesmo. Mas brindo. E, de tira gosto, amêijoas à bulhão pato. Gosto de chamar de amêijoa porque fica com sabor de tempo feliz. Um tempo, que, aliás, também foi tempo com Renata. Como eu disse, ela, sempre. Taioba, vôngole, berbigão, amêijoa, amizade, tudo se pode fazer assim. Com simplicidade, sabor, calor e vinho.

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Aqui, agora, a casa cheira toda a azeite, alho, mar, afetos. Cheira, até, quem diria, a alegria. Os tempos de hoje não são os tempos dos desejos risonhos. Ainda assim, insisto em palavras coloridas, em vento bom, em brisa marinha, em som de cadeira arrastada no boteco, em cavaquinhos, em gente saindo antes e gente chegando depois, em abraços que se sucedem, em ruído do mundo. Eu te amo tanto, amiga.

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Eu podia ter feito um status no FB. Era o que eu ia fazer. Mas andei falando de construir memória. E você é um sempre. Achei melhor este efêmero que o outro. Porque você é, também, um porto. A gente parte, a gente chega. A gente fica no balanço.

Eu-nírico*

Nos meus blogs, tudo é ficção, quase nada é literatura.

A história da minha vida: dar mais do que eu pretendia, menos do que esperavam.

Eu poderia te amar, mas nem eu nem você sabemos ao certo o que isso quer dizer.

[haveria muitos beijos. e abraços. e cafunés. e pernas enroscadas. e toques, muitos toques. mãos que se encontram meio sem porquê. e cafunés, eu já disse? e nariz fazendo cócegas. e abraços no meio de uma praça, apenas para rimar com o tempo que já foi – ou que podia ter sido]

A verdade é que estou precisando de mar. Deixar arder o sal nas feridas. Mergulhar e confundir maresia e lágrimas. Lavar a alma ou tirar a areia do biquíni, sei lá.

Descobri que, durante toda a vida, plagiei – mal – uma escritora que nunca havia lido. Uma escritora que me faz colocar sapatos vermelhos para lê-la ou dela falar. Juro. Acho que é o jeito que ela usa os adjetivos.

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Quando você pensa em Silvina Ocampo você pensa em… inquietude, perversão onírica, cores, perturbação, devaneio, estranheza, espelho, primeira pessoa, primeiro a pessoa, desatino, sombras, desejo e uma certa crueldade.

Tem aquele moço, não, não, a bem da verdade, teve aquele moço que tem até apelido no meu rol de afetos: enfiada de pé na jaca. Tem um moço, bem moço. O interesse é muito, a energia é pouca. Tem o moço de sempre. Tem o moço do quem sabe. Tem o moço do e se tivesse sido. Tem o outro moço, nem tão moço, nem tão paquera, outra vida, outro tempo, responsabilidades, mas tão boa a dança. Dois pra lá, dois pra cá, de sapatos vermelhos, claro.

Era só chegar no bar. E sentar ao lado. E pedir a cerveja. E contar uma história repetida. E de novo. E chegar mais perto pra ouvir melhor. E falar no ouvido, porque há muito barulho. E soprar, mornas, as palavras, e encostar a língua de leve no lóbulo. E sentir a pele arisca. E encostar joelho. E dispensar um copo e beber junto. E sentir o corpo úmido. E esbarrar mãos. E já nem lembrar qual o assunto. E entrar no táxi**. E encontrar lábios. E chocar dente. E rir um pouco. E pegar o jeito. E encostar o que der de pele. E sentir-se lânguida. E ficar feliz de conhecer esta palavra porque o corpo todo está pesado, mas vivo. E decidir. Sobe, segue, despede-se? Não importa, a memória é aquela ilha de edição.

Entre os dezoito e os vinte e cinco anos, meu rosto tomou um rumo imprevisto. Aos dezoito envelheci. Foi assim com M. Duras, eu jurava que tinha sido assim comigo. Mas não, apesar de na minha vida, também, muito cedo ser tarde demais, e sempre sentir-me um tanto mais velha do que o que os anos contavam, meu rosto só mudou aos 40. Mudou tudo de uma vez, ângulos, expressões, textura. Ainda estou aprendendo a ser essa outra mulher. Que tem seu charme, mas é um charme outro, tal como um esgrimista que muda do florete para o sabre e está descobrindo como manter a elegância.

Eu queria ter te amado melhor, sabe. Não me entenda mal, eu não queria ter te amado mais, nem em duração nem em intensidade. Eu te amei inteira, eu te amei em cada linha escrita, eu te amei em cada dito ou escuta, eu te amei no sono e te amei no sonho, eu te amei em lábios e pele e ânsia. Eu te amei tanto. Mas sim, eu queria ter te amado melhor.

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Os roteiristas deste programa tem toda minha admiração. A lista de livros, a relação da arte com a morte, a homenagem a Aldir Blanc e todos os outros, a canção do Tom Zé cantada em família. Tudo isso me fez tão bem. Porque não é negar a dor. É olhar no olho do medo, da perda, da raiva, da finitude e reinventar em beleza.

 

(tem umas pessoas públicas que eu admiro pelo que produziram, pela sua arte, pela sua voz, humor, talento, etc. e fica nisto, admiro, elas lá, eu aqui. tem outras que além disso ou apesar disso, eu sei, eu sinto, com convicção, que seríamos próximos caso nos conhecêssemos (me deixa). O Gilberto Gil é assim. O Caito Mainier. E tem aqueles que eu nem sei se seríamos amigos e tal, mas tem hora que eu bem que gostaria. Como o Gregório. Hoje eu quis muito tomar um café na casa dele.)

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*Um moço inteligente, um dos melhores em trocadilhos – bobos ou sabidos – enquanto se conversava sobre a escrita de Silvina Ocampo, soltou essa: ela não tem eu lírico, tem eu-nírico. Avisei que ia roubar. Roubei.

** A paixão tem este sentido de urgência. Um livro que me tocou muito se chama “O Repouso do Guerreiro”.  Logo no começo da história, quando está se envolvendo com Renauld, a narradora diz:
“— Aliás, vamos tomar um táxi. É bastante longe.
Oh! Como é longe! O tempo é desmesurado. Dez metros, eu não os faria a pé. Só percebo o minuto seguinte a uma distância inacessível, nunca o atingirei.”

America’s Next Top Model ou Outras questões relevantes na quarentena

Quarentena. Isolamento Social. Lockdown. Ficar em casa. Não sair, não receber. Tem muita coisa implicada nisso, quem mora com criança, quem mora com idoso, quem mora em casa pequena e com muita gente, quem nem tem canto pra morar, quem mora com trabalhador da área da saúde ou de serviços essenciais… e tem a especificidade de quem mora só.

Morar só, neste período, tem algumas vantagens, nem preciso listar, cada um é capaz de imaginar. Mas depois de um certo tempo se acostumando com os “ritos” para evitar o Covid, depois que a tristeza e a raiva já tomaram quase todo o espaço da agenda, depois que a gente consegue não morrer de exaustão mental trabalhando online, depois que se estabelece uma dinâmica pra falar com familiares e amigos e tal, depois chega ela, né, e dá aquele toque que ainda tá por aqui. Ela, a libido.

(na verdade verdadeira eu coloquei depois pra dar um ritmo ao texto, cada qual sabe do seu cada qual, o que sei de mim é que ela, sempre. Mas, camarada, sabe ser discreta quando necessário)

Mas, dizia eu, a libido, ali, pedindo, exigindo, implicando, incomodando. E o tinder disponível para o mundo todo. Aqueles moços de sempre tudo no alvoroço, também eles quarentenados. E, quem sabe, aquele moço que nem era opção pois vivendo no reino tão, tão distante, mas, agora, não importa se no quarteirão vizinho ou lá no extremo de outro país, a impossibilidade da presença física é a mesma. Todos se tornam possibilidade. No primeiro momento isso me parece vantagem já que sou boa de papo (não procurem modéstia aqui, não trabalhamos) e, pensei, papo é basicamente o que se pode ter quando ado, ado, ado, cada um no seu quadrado.

Rá. Bobinha. Porque as pessoas querem ver, né. E eu não vou lembrar (nem vou procurar agora, pois meia noite e meia) se é Darian Leader no seu Por que as mulheres escrevem mais cartas do que enviam? ou é Franceso Alberoni n’ O Erotismo, mas um deles fala de uma posição erótica masculina ligada à visão e uma posição erótica feminina mais tátil (posição masculina ou feminina não entendida como determinante e exclusivamente vinculado a homem e mulher). O lance é que chega a hora de dar um oi ao vivo ou mandar uma fotinha do que-você-está-fazendo-neste-instante. E e nem estou falando de quem vai além no jogo de sedução, estou tratando só do básico da conexão mesmo. As pessoas querem ver e ser vistas.

É neste momento que eu lembro que eu assistia America’s Next Top Model sempre muito impressionada não com a aparência das pessoas, não com o mundo da moda, não com a competição, mas com o conhecimento e o domínio que as e os modelos tinham do seu próprio corpo e de como ele (corpo) se apresenta ao mundo. Algo que eu nunca, nunquinha, tive. Talvez me atrapalhe o fato de que, na vida, eu nunca liguei para espelhos. Já passei mais de um ano sem nenhum espelho na casa, nem daqueles pequeninos, do banheiro. Não faço idéia de como meu rosto fica quando estou com raiva ou triste ou enigmática ou whatever. Sei que fico de boca aberta quando estou absorta, talvez por causa dos problemas respiratórios da infância/adolescência. Controle corporal, então, nem pensar, eu tenho que raciocinar pra lembrar direita/esquerda. Daí eu realmente me impressiono com a forma como elas modificam as expressões no rosto, posam com o corpo todo, controlando mão e joelho e cotovelo e anca e tal.

Eu e meu corpo temos uma relação bem boa. Gosto dele, aprecio e respeito como ele é, ele me retribui com prazer e tal e coisa. Acho vantagem. Sou razoavelmente bem informada e, principalmente, eu o sinto. Sinto como ele sente, sinto quando ele sente, sinto o que ele sente. Sinto. Mas, né, não faço idéia de qual meu melhor ângulo (embora saiba que tenho um, como dá pra notar nas fotos, só nunca me lembro de pensar qual é e se penso, não lembro), não sei como aproximar a câmera ou mantê-la afastada, não sei como evitar tirar uma foto ótima e perceber que a toalha aparece estendida no corrimão da escada, não sei se é de baixo pra cima, de cima pra baixo, da esquerda pra direita, de cá pra lá ou vice e versa. Não sei porque parece que tenho 32 rostos diferentes, desde um do queixo mais comprido que de um cavalo de raça até outro redondidnho que nem bolacha Maria. Não sei manter-me na frente da câmera enquanto falo sem mexer braços e pescoço e levantar e sentar e nunca parar. Esqueço de olhar pra o buraquinho da câmera e não pra tela do celular ou notebook. São tantos detalhes. Pra que lado virar o rosto pra pegar a luz? Como posicionar o tronco pra dar aquela valorizada no decote? Onde colocar o celular pra tirar selfie sem parecer que seu braço tem o dobro do comprimento do seu corpo ou a metade do que seria razoável? E, pelamor, como assim procurar a luz?

Zélia Salgado | Enciclopédia Itaú Cultural
Mulher no Espelho – Zélia Salgado

Quando o mundo era outro, aquele que costumávamos chamar de “normal”, isso não era questão, eu ligava a câmera de qualquer jeito, mandava um oi e daqui um tempinho tava no boteco ao vivo e a cores, com meu corpo desastrado do jeitinho dele, mãos pra todo lado, cheiro, textura, voz, meu corpo e o apelo que ele tivesse. Mas, no mundo que é este,  não há futuros envolvidos. Não tem encontro, boteco, passeio, viagem, não tem falar baixinho no ouvido, não tem mão se esbarrando, joelho se encostando, não tem um copo de cerveja pros dois, não tem o apenas um corpo agindo no mundo.

O que uma histérica quer é ser querida (uma, ressalto, não “a histérica”, uma a uma é assim que se conta, que a gente se dá conta, sendo esta uma, quem se enuncia) e a pressão da libido fungando no cangote, olha, quem tem seu mozão juntinho no isolamento, aproveita, sério mesmo, porque não está sendo fáceo.

L’appel du vide

Canção da Despedida é das coisas bonitas que a gente aprende com Geraldo Azevedo na voz da Elba. Quando eu era novinha, cantava assim: “amor, não chora, que a hora é de beijar”. Talvez eu soubesse coisas sobre mim que ainda eram só promessa. Talvez eu tenha me inventado aí.

Status: um pouco Scarlett.

Você está na posição exata de um ladrão que foi pego em flagrante e não se arrepende de ter roubado, mas está terrivelmente arrependido porque vai para a cadeia” – Reth não amaciava, não é mesmo?

Se fosse hoje, a roupa da cama trocada, a pose ensaiada, a casa arrumada. Se fosse hoje, a alma tranquila, a sede contida, a palavra escolhida. Se fosse hoje, sabendo pedir, sabendo ceder, sabendo querer. Se fosse hoje, o ontem.

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Como é mesmo o negócio? Quando a gente olha muito tempo pro abismo, ele retribui o olhar. E anexa um convite. Tem essa vontade, infantil?, de ocupar os vazios, de completar o que falta, de tampar a panela, vedar as brechas. Vertigem. É um risco, mas a gente balança. Tá lá o abismo, tá aqui a gente, entre nós o laço do olho que é olhado. Tênue equilíbrio.  Quem pisca primeiro? O vácuo convoca. Entregar-me de olhos abertos ou fechar o olho, recusar o apelo, um passo atrás e o suspiro?

Talvez um pouco arrependida de ser eu demais.

É tão estranho sentir uma tristeza outra, uma tristeza egoísta, mesquinha, particular, embaraçada, íntima. Uma tristeza pessoal como bater o dedão no pé da mesa, ninguém pra culpar, a impossibilidade de partilhar, quando foi que eu fiquei tão sozinha assim?

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Em outra editoria, a angústia nossa de cada dia.

Morreu Sergio Sant’Anna. Meu céu mais e mais escuro.

Dia das Mães e a impossibilidade de falar de felicidade. De falar, de desejar, de sentir felicidade.

E aquela raiva de todo dia, o dia todo. Quando eu era criança ou pré-adolescente, não lembro ao certo, passava aquele seriado do Hulk. Eu me comovia sempre quando ia terminando o episódio e ele seguia, sozinho, em estradas dolorosamente desertas. Intuía que o viver tinha uma sombra que era exatamente isso: estamos sós. Nunca pensei que um dia me identificaria com Bruce Banner e seu segredo. Eu agora também estou com raiva o tempo todo.

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À moda de Lafayette

(leia cantarolando Fracasso)

um abraço pra Maria Angélica,
que acreditou em mim, tadinha

Eu não faço bolos. Eu nem como tanto bolo, não acerto, nunca tem tudo que precisa, antigamente tinha aquele lance de bater claras em neve, não tenho batedeira, etc. Eu não faço bolo.

Mas minha sobrinha de 8 anos fez um bolo lindo. 8 anos, eu disse. Um bolo super simples, disseram: 3 ingredientes. Opa, 3 ingredientes é capaz de rolar. E, né, hoje é aniversário do meu filho, estou longe, fazer bolo tem um efeito simbólico que me consola um pouco. Pois bora.

3 ovos, duas xícaras de leite em pó,uma colher de fermento. Simples, né? E uma sorte, eu nunca tenho leite em pó, mas comprei um saco pra fazer pão, sobrou quase todo. Pois fiz, bati os ovos, misturei o leite em pó, coloquei o fermento… Aí eu pensei:

uma pitadinha de sal, claro, tudo que é doce pede sal. Daí lembrei que estou sem sal comum em casa (sempre falta alguma coisa, eu disse), coloquei uma pitada de sal grosso, talvez não tão inha assim. E como uma coisa puxa outra, lembrei que tinha coco ralado na geladeira. Vai uma colherzinha? vai sim. Não coloquei muito, pois não sabia o efeito na massa. Quando fui guardar o resto do coco na geladeira vi o queijo. Porque ralá-lo, porque não ralá-lo… ralei-o-ô. Mais uma colheradinha na tigela.

Tão contando os ingredientes? De três pulamos pra seis. Hora de colocar no fornOPA tem que untar a forma, aí me toquei que também acabou a manteiga, untei com azeite.

Uns quinze minutos de forno e ficaram LINDOS. Lindos mesmo, fofinhos, convidativos, cheirosos… eu podia parar o relato aqui, vocês nunca saberiam a verdade: ficaram uma delícia porém salgados. Quando pega uma lasquinha do coco engana mais ou menos. Mas tá salgado.

Modus que se algum outro dia eu for incursionar por estas paragens (que não vai ser tão cedo pois acabou o leite em pó também), ou sal ou queijo, luciana.

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