L’appel du vide

Canção da Despedida é das coisas bonitas que a gente aprende com Geraldo Azevedo na voz da Elba. Quando eu era novinha, cantava assim: “amor, não chora, que a hora é de beijar”. Talvez eu soubesse coisas sobre mim que ainda eram só promessa. Talvez eu tenha me inventado aí.

Status: um pouco Scarlett.

Você está na posição exata de um ladrão que foi pego em flagrante e não se arrepende de ter roubado, mas está terrivelmente arrependido porque vai para a cadeia” – Reth não amaciava, não é mesmo?

Se fosse hoje, a roupa da cama trocada, a pose ensaiada, a casa arrumada. Se fosse hoje, a alma tranquila, a sede contida, a palavra escolhida. Se fosse hoje, sabendo pedir, sabendo ceder, sabendo querer. Se fosse hoje, o ontem.

https://pilhasepilherias.files.wordpress.com/2014/01/large-12.jpg

Como é mesmo o negócio? Quando a gente olha muito tempo pro abismo, ele retribui o olhar. E anexa um convite. Tem essa vontade, infantil?, de ocupar os vazios, de completar o que falta, de tampar a panela, vedar as brechas. Vertigem. É um risco, mas a gente balança. Tá lá o abismo, tá aqui a gente, entre nós o laço do olho que é olhado. Tênue equilíbrio.  Quem pisca primeiro? O vácuo convoca. Entregar-me de olhos abertos ou fechar o olho, recusar o apelo, um passo atrás e o suspiro?

Talvez um pouco arrependida de ser eu demais.

É tão estranho sentir uma tristeza outra, uma tristeza egoísta, mesquinha, particular, embaraçada, íntima. Uma tristeza pessoal como bater o dedão no pé da mesa, ninguém pra culpar, a impossibilidade de partilhar, quando foi que eu fiquei tão sozinha assim?

******************************

Em outra editoria, a angústia nossa de cada dia.

Morreu Sergio Sant’Anna. Meu céu mais e mais escuro.

Dia das Mães e a impossibilidade de falar de felicidade. De falar, de desejar, de sentir felicidade.

E aquela raiva de todo dia, o dia todo. Quando eu era criança ou pré-adolescente, não lembro ao certo, passava aquele seriado do Hulk. Eu me comovia sempre quando ia terminando o episódio e ele seguia, sozinho, em estradas dolorosamente desertas. Intuía que o viver tinha uma sombra que era exatamente isso: estamos sós. Nunca pensei que um dia me identificaria com Bruce Banner e seu segredo. Eu agora também estou com raiva o tempo todo.

 angry marvel avengers the avengers rage GIF

Um Kg de alcatra

Uma panela de sopa das aparas.

Um primo do strogonoff até bem gostosinho do ladinho do arroz.

Umas tiras salteadas comidas com rúcula e banana.

Outras tirinhas que foram num molho de macarrão.

Eu ia fazer um post animadinho sobre comida mas fui ler as notícias e toda a alegria esvaneceu.

Eu não tô saindo de casa. Nem mesmo só para. Pra nada. Não saio pra fazer compras, pedi uma vez as coisas grandes e recebo em casa o que tem da feirinha de agricultura familiar. Não como o que quero, como o que tem. Não peço comida, mesmo sonhando com isso. Não dou uma voltinha pra espairecer. Nada – não estou julgando quem faz qualquer uma dessas coisas  e muito menos quem tem que sair de casa pra trabalhar ou cuidar de alguém, etc. Daí hoje eu li este texto de uma querida no FB sobre a situação da cidade em que moro e me deu aquela sensação de filme pós-apocalíptico, aquela impressão que no dia que eu sair de casa será para um deserto de corpos e almas. Esta sensação agravada por dois outros assuntos que me chocaram muito, uma família no Pará agredindo um médico porque ele colocou no atestado de óbito “suspeita de corona vírus” e o pessoal queria que colocasse pneumonia e, por outro lado, pessoas indo a um perfil de FB de uma pessoa que morreu arengar, xingar e escrever coisas vis porque a pessoa que morreu tinha participado de atos para reabertura do comércio, algo como: mereceu.

Uma coisa estarrecedora são essas lives que os artistas famosinhos do Brasil fazem. Inspirada nas ações de artistas e comunicadores de outros lugares do mundo, as lives deveriam ser um descanso pro juízo de quem tá confinado mas foram transformadas em mais uma fonte de ansiedade com essa ruma de gente trabalhando.

Li que em Serra Leoa tem 18 respiradores para 7,5 milhões de pessoas. Eu não sei o de vocês mas o meu mundo já acabou.

Tem umas coisas que valem a pena, né, tipo fazer sopa e mandar pro meu cunhado.

Daí passou o dia e já é outro dia e esse novo dia é também um domingo de Páscoa e eu acho muito bonito ver a alegria de vocês comendo chocolate.

Vi quatro episódios de WW. Luciana feliz que se concentrou.
Só tinha Dolores. Luciana triste pois Dolores, né.

43758119_1827143623990226_6723565130572890112_o

 

Dificuldadezinha

Eu acho que medo, medo grande eu tinha dois antes dessa pandemia. De um deles eu falo bastante: tenho medo de ficar cega. O outro não me acompanha desde sempre, quando eu tinha 18 anos e tirei a carteira de motorista, eu nem pensava nisso. Mas em pouco tempo me ocorreu: e se eu machucar alguém? Tenho pavor, pavor, pavor disso (psicanalistas podem fazer a festa com esse parágrafo, eu mesma fiz, no divã).

Eu sou uma motorista super conscienciosa. Monótona. Na estrada o limite é 80km por hora? Dirijo a 80 km por hora, não importa se é pista dupla, bem asfaltada, sem nenhum outro veículo e sem radar. Passo uma vida pra tirar o carro do estacionamento, vou devagar, olho várias vezes no retrovisor. Vai que alguma criança se solta da mão da mãe e passa atrás? Nunca ultrapasso sem ter muita certeza de que tudo é favorável. Ligo a sinaleira bem antes, mudo de faixa devagarzinho. Como eu disse, uma motorista que chega a irritar quem tá no banco do passageiro. Paciência, é um preço baixo a se pagar pela intenção de nunca, nunca, nunca causar dano a alguém.

Então o outro medo que eu tinha, além de ficar cega, foi potencializado com o corona vírus. Eu fico em casa, eu cuido da quarentena, eu evito contato com outras pessoas porque tenho muito, muito medo de ser vetor de contaminação. Tenho medo de ser responsável pela dor de alguém.

Meu cabelo tá meio estranho. Que bom, combina com o resto.

Dentro de mim mora um anjo, mas é amarrado no porão e raramente o alimento.

Essa música em mim. Sou tanto. Tantas eus. Tantas que foram, que sou. Quando tudo já for outro e também eu diversa, espero ainda estar assim. Aqui. Há mais versões no youtube, aquelas de disco, voz mais límpida, gravação melhor. Mas. Gosto imensamente desta versão que ela mais conta que canta e tem uma pequena gargalhada pertinho do fim. Uma vez uma amiga pescou num livro e me disse: somos nós que somos contados por nossas histórias e não elas por nós. Sigo acreditando. Essa música me canta, mais do que eu a ela (até porque sou desafinada e só canto que nem a menina com uma flor).A gente (a gente sou sempre eu) diz casa, mas, na verdade, é o peito

 

Eu hoje fiz tapioca. Peneira fina, goma branquinha, pitada de sal, frigideira quente, manteiga derretendo e um suspiro.

Status: se sentindo ousada.

Hoje teve trabalho por vídeo-conferência. Não recomendo.

Ainda o pôr do sol, a caixinha com as amigas, o filho fazendo surpresa boa, um livro, uma série, finalmente. Vida nas brechas.

10151853_761707937200472_1414204680067516056_n
O corona vírus trouxe uma dificuldadezinha pra essa meta aí

 

 

Tenho interesse

14o dia.

Um dia de vazios. Vazia a alma, o corpo, as panelas, as ideias.

Hoje choveu, caiu energia, molhou a rede na varanda. Não teve pôr do sol. Mas, como disse a amiga, depois da tempestade ainda ficaram varanda e rede #lucro

É uma questão de ritmo. Ou de temperatura. Deixa cozinhar o galo.

O moço bonito e seus desenhos inquietos.

Tenho interesse. E eu aqui, enfileirando palavras, imagens, sons.

Eu estou bem de boas por não estar de boas. Entendo todas as mensagens de que não devemos ficar abatidos, de que não devemos ter pânico, etc. Entendo e concordo que são reflexões pertinentes. Mas eu sou das que fica triste mesmo com as dores de todo um mundo. Sou, também, das que fica alegre por qualquer beleza. Uma criança rindo, um quadro, um passo de dança, um gesto solidário. Então não tenho medo de abraçar a angústia como nunca tive pejo dos sorrisos. Sei que amanhã vai ser outro dia, só não sei quem seremos e não me apresso em decidir isso.

Eu passaria melhor por isto tudo se fizesse bolos.

11988220_880038448700753_7063959935490143962_n

Desagradável

13o dia.

Hoje eu quase não acordei. Ou algo assim. Acordei, dormi, acordei, dormi, acordei. Acho.

O momento alto do dia foi a troca de receitas de café na cafeteira elétrica.

Vontade zero de fazer comida. Não descongelei nada. Não tenho coisas de beliscar. Não tem pão. Quanto tempo dá pra viver só de livros e água?

Áudio do amigo médico. Dói.

Você nunca frequenta o grupo. Você decide frequentar o grupo. Você desiste de frequentar o grupo.

Respondendo à minha pergunta, até as 17hs. Queria comer sushi, vou fazer broaca. Nem um nem outro, fiz omelete de milho, cebola e queijo.

Falar no zap com jufinaflor tira um bocado de peso do dia.

Faço o distanciamento social sozinha e isso é tipo uma bênção pras pessoas porque definitivamente eu não ando sendo uma boa companhia.

Ai, luciana, mas você só fala em tristeza, ultimamente. Não é isso, eu só sinto tristeza (mentira, sinto raiva, também). Letra, aqui, é ponta de iceberg.

Daí que circulou este print e eu pensei que não só sei fazer nada disso num nível significativo como não gostaria de viver no mundo em que essas são as habilidades principais.

 

A imagem pode conter: possível texto que diz "cariocavírus @LFRockefeller Se precisarmos sobreviver no apocalipse, quantas dessas coisas você sabe? acender fogueira na pedra -criar bússola improvisada -código morse atirar nadar sair no soco -construir casa na arvore -especieis de plantas venenosas cura com ervas -andar a cavalo"

Chove

Varrer a cozinha.
Levar o lixo pra fora.
Ver um filme novo com cara de outros tempos.
Ver as atualizações de contágio, mortes e saber que é tudo subnotificado.
Chorar na cozinha. Na sala. No banheiro. Na cama, uma e outra e outra vez.
Colocar o feijão no fogo.
Reler um Verissimo.
Chorar na cama, no banheiro, na área de serviço.
Lavar lençóis, estender e ver seu trabalho arruinado por uma nuvem inoportuna.
Andar na esteira.
Chorar na esteira.
Tomar banho. Chorar no chuveiro.
Receber mensagens variadas no whatsapp. Me irritar com umas, sorrir com outras.
Acompanhar as fotos da bênção do papa.
Chorar com o papa, alquebrado, solitário, impotente naquela praça vazia num fim de dia chuvoso.
Sentir uma dorzinha fina n’alma, o tempo inteiro.
Trocar o ventilador.
Levar sopa pra irmã, trazer batatas #escambodofimdomundo
Receber mais áudios no zap, jurar que não vai ouvir. Ouvir. Chorar.
Assistir episódios da série que amava e só sentir tristeza por ela não ser mais.
Ouvir a chuva.
Ler notícias no twitter.
Beber água.
Suspender o projeto Xerazade.

Choveu em Roma. Choveu aqui. Significa o quê? Muito pouco, quase nada, mas molhou minha rede que estava na varanda. Hoje não teve pôr do sol.

Nem todo choro é tristeza. Tem a raiva também. Tem o medo. Mais raiva que medo, por agora. Tem a saudade. Tem a preocupação. Mais preocupação que saudade. Ainda. Tem aquele que é por alguma coisa tão linda que comove. Hoje não teve desse. Tem o chorar de rir. Faz tempo que não aparece. Nem todo choro é tristeza. Hoje, quase todo é.

Imagem

Cedo demais

Dia 11 e eu acordei cedo demais.

Ate agora foi o dia do não. Tenho louça pra lavar da janta de meia noite. Não lavei. Tenho roupa pra tirar do varal. Não tirei. Não varri o quarto, não cozinhei, não lavei o banheiro, não vi filme, não estudei.

Mas falei com meus pais e eles estavam tomando uma cachacinha e tirando gosto com torresmo.

O que você vai fazer quando acabar a quarentena?” e todo mundo tem boas respostas, grandes planos ou pequenas sacanagens. Deve ser bom ter alguma confiança, em si, em  um futuro, sei lá. Eu não vejo amanhãs. Eu não consigo responder esta pergunta. Não consigo olhar pra frente. Planejar nada. Vivo o dia. Um dia. Espero e espero, apenas. Talvez a resposta fosse: viver. Mas quem vai viver? Não sei quem eu serei no depois. Não sei se serei. E quem mais será. E se alguém não for, como eu poderei continuar sendo? Toda vida importa.

Recebi uma ligação com vídeo da amiga. Me emocionei.

Tomei dois copos de iogurte.

Disse ali mais pra cima que não tô fazendo planos. Mas não é totalmente verdade. Hoje tomei uma decisão: amanhã farei feijão rico (faz dias que tô tentando colocar essa idéia pra frente mas hoje coloquei as carnes pra dessalgar).

Os víveres estão escasseando. O que acabou primeiro: cenoura, abóbora, espinafre, cheiro verde, tomate, todas as frutas, todo o álcool. Estão acabando: flocão, goma, alho, iogurte, detergente, shampoo, água sanitária, água mesmo, arroz (mas nem vale contar, eu não comprei porque tinha meio pacote e continua tendo 1/4 do pacote), ovo.

No projeto Xerazade: sertão e minhas veredas.

luciana, o que você faz o dia todo em casa? eu faço o dia todo, só isso.

Resultado de imagem para Provencal Nude, Gordes, 1949, by Willy Ronis.

 

Xerazade da quarentena

Dormir até mais tarde. Quase 09hs, que alívio, menos dia pra passar por ele enquanto ele passa por mim.

Notícias preocupantes. Lá de fora. Aqui de perto. E de dentro.

Presente de aniversário do cunhado vizinho: sopa.

Daí teve o pronunciamento do presidente. E sabe aquela história do “nem todo”? Nem todo homem, nem todo hétero, nem todo isso ou aquilo? Pois tá na hora dos “nem todo rico” se apresentar pro trabalho e tirar esse imbecil da cadeira nem que seja no tapa. Ou na guilhotina.

Continuo apaixonadinha pelo Spencer Reid.

Projeto Xerazade da quarentena.

Pedi e ganhei da querida Maria Angélica a receita de bolo de banana com canela. Claro que já não tenho mais bananas então vou ficar só imaginando o sabor por um tempo.

As vontades mais estranhas: mimosa com sanduichinho frio de salsicha. E morrer sem dor.

Um amor em technicolor.

Não ter a palavra, o encanto, a memória. Não ter o som, o ritmo, o momento. Não ter a conversa, o cheiro, o rosto, não ter o melhor ângulo, a frase precisa, a passagem comprada, não ter o motivo, o andar, a aparência nem a receita. Não ter a idade, a bagagem, o sorriso, a vontade, a coragem. Nem mesmo uma boa história. Ter só o sem jeito, a esperança e alguma tristeza.

Imagem

Vários nadas

Ontem fui dormir duas da madrugada, mais ou menos. Coloquei o despertador pra 8:10hs. Porém 7:50hs e eu já varri e passei o pano no quarto, limpei o banheiro, recolhi o lixo da casa e levei pros baldes do condomínio, guardei lençóis e toalhas lavados, troquei a roupa de cama, coloquei roupa na máquina, tomei banho lavando o cabelo e tudo. O problema de acordar cedo e dormir tarde é que se fica muito tempo sofrendo.

Depois, fui ler. Obrigada, Lisa Gardner, por um bom par de horas de desligamento.

13hs e eu não comi nada. Bebi 3 garrafinhas de 300 ml de água.

Tive uma longa conversa (pros nossos padrões) com o filhote. Ele está se comportando super bem, em recolhimento total. Mesmo assim a vontade que tenho é amarrar todos eles, filho, pais, parentes, guardar numa caixinha e só soltar quando o risco passar.

Aleatoriamente eu paro e choro. Tento não me incomodar com isso, é como sentir fome ou sede ou sono, sinto vontade de chorar.

Dois queijos-quente e uma xícara de café com leite. Na editoria putamerda o segundo pacote de pão de forma estragou.

“eu já estou totalmente na sua”. tem gente que é muito fofa.

Um montão de nada. Nem um cochilo na rede rolou.

Notícias, quase todas ruins. Um lindo texto da amiga lá no outro blog: Duas historinhas em tempos difíceis.

19hs e fui colocar carneiro na panela de pressão. Infelizmente acabou o colorau. Tempera com limão, sal, pimenta e páprica. Picadinho: pimentão, cebola roxa, cebola branca. Vou fazer cuscuz pra acompanhar? Vou fazer cuscuz pra acompanhar.

“E se aquele abraço crescesse”. Engraçado como tem frase que marca a gente.

Vejo as fotinhas das “festas-virtuais”, salinha de bate papo e acho incrível que as pessoas tenham o que dizer.

Eu nunca poderia participar do BBB porque não pode levar livro.

Visitinha da irmã (pode, é vizinha de quarentena e nós nem nos abraçamos nem nada).

Para a noite: Lisa Gardner ou Blake Pierce? #VivendoNasNovelasPoliciais

51616995_1981145735256680_7723560472019992576_o

 

 

 

 

Amarelo

Um janelão imenso, o mar no enquadramento, panquecas na cama, aquele quando que é eterno: você lendo, baixinho, Para uma menina com uma flor. E, depois, rindo: no seu caso, pouco sutil, essa flor é um girassol.

Resultado de imagem para girassol

– Você não sabe amar. Nem discuto, até acredito. Mas sei como é ser amada. Obrigada.

Hoje fiz sopa. Pra você ver como o isolamento promove decisões estranhas. Sopa nunca foi confort food pra mim. Tomar sopa talvez ainda não seja. Mas preparar, sim, fazer sopa se tornou um jeito de me jogar, temporariamente, num tempo outro, melhor, mais alegre. Gosto que seja um processo demorado. Como me ensinaram, o principal tempero da sopa é o tempo no fogo. Cortar os legumes bem miudinho. Refogar a cebola, o alho, colocar o resto dos ingredientes (além dos legumes eu gosto de colocar um pedaço de linguiça ou bacon pra dar aquele sabor maroto), misturar, temperar, água quente, deixa cozinhar, cozinhar, cozinhar e quando achar que tá bom, cozinhar mais um pouquinho, tira o pedaço de linguiça, passa o resto tudo no mixer. Cebolinha e queijo na hora de servir.

Todos os dias chegam links de museus disponibilizando visitas virtuais, cursos online, poadcasts, lives e inúmeras outras atividades pra quem precisa de ajuda pra passar o tempo no isolamento. Eu acho admirável que alguém precise porque eu estou me sentindo meio como um bebê, eu como, eu durmo, eu tomo banho e coisas assim. A diferença, talvez, é que eu mesma preparo minha mamadeira e coloco a roupa pra lavar. Eu não fico procurando mais informações sobre o corona vírus, mas não consigo deixar de me preocupar com as pessoas que estão expostas, que provavelmente adoecerão, que talvez morram. É um sentimento constante de impotência.

Abrir a porta e esperar o sol.