Brilhar e brincar de desesconde – desesconde #dia440nocalendáriokalúnico

Tal como o David Luiz, eu também escolhi esperar. Não as mesmas coisas. Mas esperar. Respirar fundo. Não contar até 10. Não contar as horas, os dias, o tempo. Esperar a mensagem. Esperar a vontade. Esperar alguma saudade. Esperar a presença. Esperar que. E se não, não. Receber bem essa minha desconhecida. Oi, tudo bem, dona Paciência? Senta aqui, faça de conta que esse peito é sua casa. Abri um vinho agorinha, aceita uma taça? Esperar. Acreditar que o futuro é mais que um agora estendido. Bem leve, leve. Dançar na pontinha do pé. Lavar o rosto com água gelada. E, no por enquanto, brilhar. 

Brilhar e brincar. De desesconde – desesconde.
Não saber o que é não significa que não seja ou que não seja bom.
Quando faz, faz muito bem. 

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Se ela tivesse a coragem de morrer de amor 
Se não soubesse que a paixão traz sempre muita dor
Se ela me desse toda a devoção da vida
Num só instante sem momento de partida
Pudesse ela me dizer o que eu preciso ouvir
Que o tempo insiste, porque existe um tempo que há de vir
Se ela quisesse, se tivesse essa certeza
De repente, que beleza, ter a vida assim ao seu dispor
Ela veria, saberia que doçura, que delícia, que loucura,
Como é lindo se morrer de amor!

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Tem esse programa, brincando com fogo. Umas pessoas bem jovens, dentro do padrão de beleza, solteiras e teoricamente loucas por sexo mas, olhando de perto, cuidadosamente escolhidas por suas inseguranças e péssimos relacionamentos prévios. Aí a dinâmica é: passar o dia com pouca roupa, na praia, flertando, mas sem pegação. No horizonte há um prêmio que será (ou não) dividido por todos ao fim do programa e a cada infração considerada sexual (beijo, masturbação, sexo), o valor do prêmio vai diminuindo. A premissa é que para fazer conexões profundas, os aspectos físicos do relacionamento devem ser minimizados, adiados, escanteados. Procurem a beleza interior. Risos. Quem consegue confiar no parceiro, ter conversas íntimas, dar suporte um ao outro, vai ganhando sinais verdes, basicamente algum tempo sem punição pra se beijar e tal. É um entretenimento triste tanto porque a impressão que dá é que o problema é o sexo e não como as pessoas lidam com ele, como porque há momentos de euforia quando algum casal que demonstra se gostar muito tem a oportunidade de passar a noite em uma suíte especial, sozinhos, e acordam no dia seguinte sem perder nenhum dinheiro porque colocaram um banco (isso mesmo, senhoras e senhores, um banco), no meio da cama, para não se tocarem. No sex, more money, um anti Zeca Baleiro.

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Hoje eu visitei um passado e revi muitas coisas. Evitei cuidadosamente as que se tornaram nossas, tão rápido. Como uma espécie de arqueologia de mim mesma, reli, assisti, ouvi e até comi coisas tão minhas. Só minhas. É que eu sei que vivi muitos dias antes dos dias em que você passou a viver em mim. Eu sei. Mas eu não sinto. Não sentia. Fiz escavação. Fósseis, monumentos, artefatos de uma época A. V. O desejo moveu placas tectônicas no meu peito. Descobri um coração e suas brechas. Entre ruínas jarros, pratos, urnas mortuárias, fivelas de cabelo. Downtton Abbey. Uma Marquesa. De Merteuil, oba. Discos da Mia Martini e Fito Paez.  Chapéu de couro, uma alegria intocada pela sua sombra. Praias, montanhas, castanhas, telegramas, touca, câmera, janelão, muros pulados, beijos na praça, até maquiagem e meias de seda. Por vezes eu parei, exausta de não te querer. Difícil resistir, tem euro na tv. Respirar, abraçar os livros do Machado de Assis, seguir. Acreditar-me capaz de kintsugi n’alma, depois que sua ausência for ausência e não essa presença dolorida se espreguiçando e imprimindo marca no tudo dentro de mim. Olhar pra trás é uma espécie de olhar pra frente, Construir, com meus tijolos amarelos, um viaduto, pra atravessar esse território. Olha lá, do outro lado, de casaco vermelho, echarpe azul e biquíni de estampa amarela, rindo alto, uma luciana.

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Não teve diarinho ontem? Pois teve. Um cheio de quinas e pontas afiadas. Como se diria no twitter: muitos gatinhos. Especialmente um Heitor. O dela não é o meu, mas ainda assim, Heitor. Além do que foi, Heitor é, talvez, meu herói preferido. Fechada nas minhas muralhas, recebi contas, mas nenhuma carta. Talvez, ao longe, atraquem mil navios. Se não tenho certeza sobre os ventos e barquinhos, confirmo que pelo menos chegaram Ilíada e Odisseia com tradução de Frederico Lourenço e uma caixa bem bonitinha, sombras em azul sobre letras. “Tenho no peito dores desmedidas“, diz e diz e diz Helena presa que é à injunção de Afrodite de que aceite e mesmo procure os abraços de Páris. Ser favorito de um deus não é nada moleza. Não que seja tão mais fácil ser esquecido por eles, como bem sabia Duras. Tenho que escolher um tema para falar na feira literária. Porque eu ainda digo sim se sei que não sei o que dizer? Vou dando like nas postagens de gente na rua. Fora, desgoverno genocida. Vez ou outra a foto de um moço que eu penso porque não fui? Sei lá de onde vem esse vento nostálgico, abro portas pra ele correr mais rápido. Pedi respostas na última garrafinha e recebi. É bonito algum diálogo. Uma vez uma estante de ferro, cheia de livros, caiu em cima de mim (pra minha sorte tinha uma cama pra eu cair em cima enquanto os livros faziam um morrinho no meu peito). Eu imagino uns leitores assim, tentando acompanhar tudo que escrevo, soterrados em palavras minhas. Talvez tenha sido isso. Sinto falta de você por perto, imagino que você pegou alguma saída no caminho, mas talvez você só tenha ficado preso em algum dito. Amanhã é domingo, vou assar legumes, trocar os lençóis da cama, tomar banho de sol, varrer o quarto, lavar o banheiro, esquecer você. Hoje é sábado, dia de sábado eu minto. 

Your girl is lovely, Hubbell

É um post mas podia ser uma sessão de análise. Daquelas que a gente fala um monte sobre o que não importa para não falar do que é realmente importante e de repente vem aquela puxada de tapete porque é a forma como se falou do que não é importante é o que importa.

Sei lá, eu gostava mais quando a gente fazia massagem no cabelo e não hidratação.

Teve aí a controversa entrevista do Milton – que eu não li. A música brasileira atual não é tão boa sei que lá? Não saberia dizer. A verdade é que eu fiquei lá, naquele cantinho pré-cd com uns discos e filmes de estima e nada mais. Claro que eu escuto “coisas novas”. Mas a verdade constrangedora é que sou vou ouvir Roberta Sá, prefiro quando ela canta Cicatrizes.

Status: atrasadíssima, perdendo o bonde, o cavalo selado, a vez, o prumo.

Toda uma vida construída sobre saber ficar, saber partir. Mais: aproveitar o tempo de ficar, reconhecer a hora de partir. É tentador se deixar ficar só mais um pouquinho. Só mais um pouquinho como na floresta das fadas em Avalon, enquanto a fruta apodrece, o cavalo vira carcaça, enquanto a noite é dia e o dia é noite, as pontas do que é morte e do que não é se encontram formando o círculo entorpecedor do qual já não se consegue sair, ficar só mais um pouquinho e esquecer como viver é tão bom que dói.

Argentina, Uruguai, Chile, Portugal ou Itália? provavelmente nenhum deles mas se não acenar com uma cenoura eu sou aquele burro teimoso que empaca.

Escolhendo a coragem.

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A incrível solidão do goleiro que falha

Correndo no meio do mundo,
não deixo a viola de lado,
Vou ver o tempo mudado,
e um novo lugar pra cantar

Ponteio é das minhas músicas preferidas de sempre. Ela coloca uma necessidade no meu peito, uma inquietação na alma, uma vontade de, de, de, de algo que eu nunca soube nomear. A música vai ecoando no meu peito e me inspira, me anima, me comove.

Hoje um egresso falou de uma ação que ele participou, sob minha coordenação, em 2009 e de uma questão da prova – não faço mais prova, gente, eu era jovem – pra explicar “objetivação da subjetividade e subjetivação da objetividade. Não vou negar que fiquei emocionada mesmo, até porque ele lembrava dos termos, certinho.

Me senti muito bíblica comendo peixe e pão.

Detergente, balde grande, varal de chão, pá, vassoura, lavanda roxinha, sabão em pó. Às vezes a vida é esfregar e enxaguar.

Amigas, risos, piscina, pão e café. Tem hora que a vida é fácil.

O Zé Roberto é meio como o Chico Buarque, pra mim. Eu aceitaria qualquer coisa (eu sei, nada me será oferecido, estou só explicitando a disposição). Gosto de tudo, de como se move, de como fala, do grisalho nos cabelos e do ar de quem sempre está meio perdido, meio carente.

Status laboral: abraçando o mundo com as pernas, um passo maior que as pernas, pernas pra que te quero.

O mundo caindo e tem gente pensando em beijo na boca. Eu, no caso.

Arroz por baixo, feijão por cima. Mas, mais verdadeiramente, feijão por baixo, farinha por cima, depois mistura e faz capitão.

Eu não sinto saudades, sinto ternuras.

Perdido o bonde, o timing, o cavalo selado, é segurar firme a caneca de café e espiar o tempo passar.

Futebol é um esporte de equipe, menos para o goleiro. Se ele levar um frango, mesmo que o time enfie uma goleada nesta mesma partida, ele será lembrado não pelo resultado do jogo mas pelo seu equívoco. Para todo o resto: não fez mais do que a obrigação. O goleiro que falha: trágico ou ridículo? Solitário. Solitário não só porque tem que se responsabilizar por todos os seus atos e decisões, epítome do homem autônomo e racional, mas porque vê, de onde está, o jogo que ninguém mais vê, meio torcedor, meio treinador, mas equidistante de todos estes lugares, inclusive do papel de participante da partida. O goleiro que falha sou eu tentando sustentar a alteridade, antígona com nariz de palhaço.

Poucos filmes retratam a solidão da forma precisa como Matar ou Morrer o faz. Kane vive sob o imperativo de ser quem ele acha que deve ser e nada é mais solitário. Íntegro não apenas porque se compromete com uma cidade que o abandona mas íntegro, inteiro no seu compromisso consigo mesmo, Kane confronta-se, só, com a finitude. Tal como o goleiro, ele vê a situação de onde ninguém mais a vê e, responsável pelos seus atos e decisões, mais que assume a falha, faz dela seu leitmotiv.

Eu estou em contagem regressiva: os dias sem relógio, mar, brisa, pastel de arraia. Uma semana no vilarejo onde areja um vento bom.

Eu quero muito estar lá, mas que preguiça enorme de ir.

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Violinistas no Telhado

“todos nós somos um violinista no telhado,
tentando arriscar uma canção simples e bela
sem quebrar o pescoço…”

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Fico esperando o balanço que a Fal faz aos domingos como se, em mundo paralelo, nos encontrássemos pro café da manhã, bebêssemos mimosas e gargalhássemos da nossa inaptidão pra existir. Como se no tal mundo paralelo o mais grave fosse nós não sermos sei lá o quê que ainda pensaríamos querer ser. Fico esperando o balanço de domingo da Fal como quem espera uma fresta pra beleza. Uma bóia.

Todos os outros dias que não são os domingos do balanço da Fal há destruição e feiúra, muita, muita feiúra. Todos os outros dias que não são os domingos do balanço da Fal eu tenho que respirar fundo, vestir as roupas e as armas de Jorge e partir pra briga, digo, pro mundo. Ouvi agorinha Bethânia dizendo: não existe felicidade, só alegria e coragem.  É preciso coragem para sobreviver à feiúra, à vida sem cor, sem riso, sem elegância, sem charme.

Eu não aguento mais o paletó maior que o corpo, a grosseria, a falta de delicadeza, eu não aguento mais queimadas no lugar do verde, angústia, olhares vagos, pessoas ansiosas, adoecimento, gente triste, não daquela tristeza que faz rima e música pra Salmaso doer em nós mas aquela tristeza de não poder responder sim para um filho, de não poder comprar um mimo, de não ter tempo pra ler um livro, de não poder escolher um rumo, de não saber se terá esperança de ter esperança.

Eu leio pessoas muito mais sabidas que eu dizendo que não é tempo de chorar. Há algum desprezo por quem sente. Como se sentir demais, sentir muito nos tirasse a coragem. Porque é tempo de luta, não é bem visto sentir. Eu não entendo bem como uma coisa exclui a outra. Eu vou pra rua e dou a cara a tapa porque me dói demais ver definhar o que Bethania canta e chama de Brasil profundo, mesmo que pra mim ele esteja bem aqui no raso, na borda, na beira da praia. Como a banda de moebius.

Então eu vejo o Pan e me emociono com as pessoas que atingem marcas, que sonham com pequenos avanços, que planejam conquistas, que traçam rotas, que sabem onde querem chegar. Porque eu, eu estou muito perdida. Eu só queria viver naquele mundo que quase foi. Eu só queria viver aquela promessa de beleza. Por isso, aos domingos, eu vou ali, no blog da Fal, espio as palavras que ela arruma de maneira tão linda, mando beijos no meu pensamento pra Maliu e sobrevivo.

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Se não é possível evitar a dor de quem a gente ama demais, devíamos poder confortar. Uma dor que não devia ser, não agora, não assim, mas não tenho palavra, não sei o que fazer, não há o que fazer. Estava eu vivendo os grandes, imensos horrores de toda a sociedade e quase esqueci da possibilidade da dor íntima, privada, próxima, direta.

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O que resta

Antes das lamentações, o bom: ir a Minas e receber tanto, tanto carinho (e não acertar uma tapioca, que vergonha). Umas crianças lindas, benzadeus. Ainda tem a beleza das  amizades que a gente não precisa dizer nada, mas a gente diz mesmo assim porque, né, tão sabidas as ideias.

De Minas trouxe queijo, doce, cachaça e tanta, tanta saudade.

Olhar o futuro nos olhos e mergulhar na desolação.

Tô precisando de uma atualização da poesia do Pessoa, todos os amigos sendo, senão príncipes, valorosos e resilientes, aparando golpe a golpe com galhardia, e eu, ridícula.

É tanta desolação que nem celebrei convenientemente que agora o diploma tá valendo aqui na terra brasilis. Talvez porque eu perceba como isso é irônico, passa a valer quando a educação, a cultura, a ciência, já não parecem ter valor.

Eu e sinto partindo de mim. Já não é tão fácil o riso, já não é tão sempre a alegria.

Mirando: 26 de agosto.

Aída dos Santos, que mulher.

Tem esta foto do João Gilberto e ela sintetiza um tanto do que eu sinto: a possibilidade de um mundo mais delicado, mais elegante, mais bonito, partindo e me deixando tão, tão só.

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E entre lágrimas lavo pratos, dobro roupas, corrijo trabalhos, limpo a geladeira, organizo temperos, rego as plantas, limpo banheiros, escrevo posts.

Talvez eu esteja matando meu cacto afogado.

Hoje meu pé tá gelado, não teve um esporte que eu tenha torcido e tenha rolado um resultado positivo. E hoje eu só vi tv. Ou seja.

Mas antes do futuro tem uma semana em Canoa Quebrada.

 

Peste

O que não perdôo ao pragmatismo anglo-saxão é ter-nos distraído da principal descoberta da psicanálise: o sério do ser humano é da mesma matéria de um trocadilho.

Sem saber de ti fico sabendo um pouco menos de mim.

Nem sei mais de onde retirei a citação mas ela continua verdadeira: “[Freud] pensava então estar levando a peste ao novo mundo [quando em 1909 visitou os EUA]. Muito pelo contrário, foi aí que a peste virou vitamina”.

Das coisas que parecem fáceis mas são realmente muito, muito difíceis: partilhar um guarda-chuva. Ora, podes pensar (este leitor imaginário que eventualmente aparece em minha imaginação e a quem tento convencer das mais bobas reflexões), é só estarem os dois no mesmo sítio. E que chova. Pois não é, digo eu. Para se partilhar o guarda-chuva é preciso cumplicidade. Que os corpos saibam o ritmo um do outro e se empenhem na sincronia enquanto a mente evita as poças, desvia de outros corpos, espera o sinal abrir e o sem número de coisas com as quais nos deparamos em deslocamento. Pensa-se em ir de um lugar ao outro e embaixo do guarda-chuva, como em um balé extemporâneo, os corpos se alinham, se encaixam, se afastam, se sucedem, se sobrepõem ou se alternam. Dividir um guarda-chuva não é algo que se converse ou se negocie: “olha, coloca tu o pé direito primeiro e depois inclina o corpo e então…“. Não. Chove e os corpos se sabem. Ou  as pessoas se molham.

Eu namoro como viajo. Ia me estender mas fica aí de release pra posts futuros.

Não sou de ciúmes mas se há uma situação que me deixa insegura e me enche de dedos é concorrer com a imagem e marcas que deixei em ti.

Sou generosa comigo mesma. Recomendo.

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O problema é o amor

O problema é o amor, ela quase diz. Ou a sua versão mais difundida. Acreditar que. Como se fosse a febre e não a ternura e uma certa falta de imaginação que nos levam – ao fim do dia, todos os dias – de volta pra mesma casa, pra mesma cama, pro mesmo abraço, pra mesma troca de palavras ou de fluidos, pro conforto de não precisar ser, por um momentinho que seja. O problema é o amor ou seu marketing caprichado, a impressão de que é preciso uma lingerie nova para um desejo antigo. Como se fosse necessária uma desculpa para abrir conta conjunta, comprar lençol de muitos fios e uma panela de ferro, entrelaçar pernas antes de dormir, segurar a mão quando troveja ou se recebe uma notícia ruim. O problema é o amor, a frase preparada tenta escapar pela garganta apertada, dentes trincados, lábios cerrados e sai meio gemido meio tosse, ele não entenderia, ela engasga, ele levanta a cabeça atento, esse ele que franze a testa, que vai buscar um copo d’água, que dá tapinhas carinhosos em suas costas, que esquece a mão na curva do quadril dela na displicência do gesto costumeiro, esse ele de traços borrados, que ela já nem saberia descrever, confusa sobre os limites entre o outro e quem ela se tornou. Depositando o copo na mesinha ao lado ela se encaixa no abraço de sempre, sem susto, sem ânsia, o problema é o amor, ela não esquece, mas, afinal, ema, ema, ema.

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Se você tem recordação de coisa bonita que nem o título do Flamengo na Superliga Feminina de 2000/2001, guarde com carinho, um dia pode te salvar até de você mesma.

Tenho mais pudor de dentista que de ginecologista.

Porque a gente não pode morar naquela lembrança boa?

Trabalhe com o que você gosta e quase nunca você vai lembrar porque já gostou daquilo.

Amar é sofrer, verdade verdadeira em dia de jogo do Mengo. Aí a gente vence e esquece a dor toda, vai entender isso de torcer.

O dia a dia me protegia da vida. Só que hoje complicou, quem me protege do cotidiano?

Status: reconhecendo que não vai dar.

Lema do governo: sete palmos acima de todos.

Se junho, com suas fogueiras, sabores, ritmos e pessoas amadas, não me fizer melhorar, melhor deixar pra lá mesmo.

Passei a gostar mais ainda de guioza depois que vi como é feita.

Na aula de hoje: vida ou trator?

Lembrando:

Voltar para um abraço como quem atraca no cais. E deixar o lodo cobrir o casco.

Entreabrir a persiana ou escancarar a janela não faz diferença, será dia enquanto for e, depois, não mais. Vale o mesmo pro amor, acho.

Todo amor acaba. Todas as pessoas morrem. A diferença entre a caixa de kleenex e o conto de fadas é o que chega primeiro. Final feliz é quando a gente morre antes do amor.

Eu queria ter te amado melhor, sabe. Não mais, não há régua ou balança para dimensionar bem querer. Eu não podia ter te amado mais, eu te amei inteira, eu te amei em cada linha escrita, eu te amei em cada livro ou disco enviado, eu te amei em lábios e pele e ânsia. Mas sim, eu queria ter te amado melhor.

 

Tengo te extrañado

Vi todo mundo se apaixonar por uma Daenerys fodástica, mãe de dragões, quebradora de correntes e sei que lá mais. O momento em que eu encontrei onde ancorar afeto demorou. Foi quando ela olhou ao redor e se viu só.

Não nos demoramos neste encontro, daqui a nada lá estava ela querendo tocar fogo em tudo.

O inverno está chegando, eu nunca tive chance de me interessar por outra casa.

Você vai. Você volta. A cada ida e vinda, mais tempo leva pra retornar, menos se demora aqui. Suspeito que você vai cada vez mais longe até o dia em que se perderá no caminho ou, mais provavelmente, perceberá que o cansaço é maior que a promessa. Porque é isso que te faz tentar outra e outra vez: a ideia de que algo pode dar certo. Você aprendeu todos os clichês, inclusive o da permanência. Eu não estou rindo, ainda tenho ganas de lhe confortar. É quando se desvela a impossibilidade do encaixe que você desiste do aqui para procurar em outras paragens. Eu lhe encho os alforjes, encilho montaria, separo dois ou três odres de vinho, aperto sua mão e desejo boa viagem. Talvez tenha chorado uma ou duas vezes. Não na primeira e nunca mais depois de tantas. Nem é disso que você se ressente, mas do fato de que eu sempre lhe recebo em surpresas. Não há espera em meu olhar, a cama está feita. Você desmonta, passa a vista na pilha de livros, na xícara fumegante ao lado da cadeira de balanço, nas curvas cada vez mais alargadas do corpo, nos riscos cada vez mais fundos na pele, bate a poeira da rua, bebe da minha boca, resmunga saudades, desfaz minhas roupas ou planos. Concedo. Aprendi desde cedo a tratar bem as visitas.

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Eu hoje tenho muito menos livros que há 5 ou 10 anos. Uma série de fatores me levaram a doar uns tantos e comprar menos (oi, kindle). Mesmo assim ainda lotam algumas prateleiras. Olho para eles com uma dorzinha que não sei definir direito. Gosto que eles estejam comigo mas me machica reconhecer que não terei tempo e vontade para relê-los.

Eu tenho muitos e bons amigos. E alguns nem são livros.

Já faz tempo que a escrita é em espasmos mas eu ainda estranho.

Estranhar é das minhas palavras favoritas de sempre, nem sempre no mesmo sentido.

Você lembra quando você ainda não era uma vontade em mim e eu não era devastação em você? Nem eu.

Planejamento 2: Clima e Roupas

Uma coisa que eu não me ligo: minha aparência. Uma coisa que eu me ligo: meu conforto. Então quando vou viajar eu pesquiso o clima e tento levar roupas adequadas. O que não encontrarão aqui: looks. Busco manter a bagagem com bastante espaço pra trazer coisinhas na volta.

O calendário diz que vamos na primavera. Pelo levantamento que fiz, em Montevidéu pegaremos máxima de 19 e mínima de 12. Em Buenos Aires, teremos dias bem agradáveis com máximas entre 25 e 27 (e um dia muito quente, com máxima de 30) e mínimas oscilando de 12 a 18 graus. Com estas variações não é aquele tipo de mala moleza de montar, especialmente pra quem é do Nordeste e não tem tantas roupas intermediárias nem estações como primaveras, invernos e outonos.

Enfim, vou levando um tênis para todos os dias, a chinela japonesa e um sapato de salto quadrado pros eventos mais arrumadinhos, como a ida à Ópera, o chá no Hotel Alvear e a noite no Cassino. Para estes eventos um vestido e uma combinação calça xadez p&b e uma blusa preta – vai depender do clima. Pra o resto do tempo todo: quatro calças jeans, 10 blusas, meias, duas malhinhas. Como vou viajar com minha irmã cada uma leva 3 echarpes e aí podemos revezar.

Além disso levo uma sambada máquina fotográfica, o kindlle, celular e notebook, com todos os respectivos carregadores. Precisaremos de adaptadores para tomadas, pesquei esta fotinha que compara tomadas brasileiras com argentinas (no Uruguai não é muito melhor, como conta o blog Viver Uruguay):

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Planejamento 1

Eu gosto de viajar. E gosto de planejar a viagem. Não quer dizer que vou seguir estritamente o planejamento. Planejo pra ficar íntima. Gosto de ver imagens. Ler as impressões de quem já esteve nos lugares. Saber o nome das comidas. Os lugares que os turistas acham que só eles descobriram. Gosto de me informar sobre transporte público. Sobre feiras e mercados. Sobre a programação cultural. Assim, explorando antecipadamente, peguei ópera, concerto de piano, balé…

Eu leio muito blogs e relatos de viagem. Vejo fotos. Faço listas.

Em novembro vou, finalmente, viajar pela América do Sul, conhecer Montevidéu e Buenos Aires. Tem um arquivo de excel aberto na minha frente com 9 abas. Pois é. A primeira é um resumo da viagem, simples, dia a dia, apenas com a indicação de hospedagem, horário de vôos/ônibus e dias em viagem.

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Depois tem a aba passeios com a lista de pontos de interesse, museus, parques, jardins, monumentos, etc. Tudo com preço, quando é o caso, dias e horários de visitas. A seguir as abas custo planejado e custo real. A primeira foi feita quando comecei a pensar na viagem, a partir de valores estimados pelo que eu lia e pesquisava. A segunda é resultado de todos os gastos que já fiz. Compro tudo que posso antecipado: ingresso no espetáculo de teatro, passagem de ônibus e barco para ir de Montevidéu a Colônia e de lá a Buenos Aires. Pagamos as hospedagens antecipadamente também.

Daí tem este roteirinho dia a dia (também faço mapinhas pra cada dia planejado):

Tem mais uma aba com hospedagem (nome e endereço dos hotéis/pousadas/apartamentos de airbnb) e informações de deslocamento (número de vôos, horários, etc). A sétima aba é com “o que comer”, lista de comidas e restaurantes, todas as dicas gastronômicas que consigo recolher. As abas 8 e 9 são de links, uma aba sobre Montevidéu e outra sobre Buenos Aires. Aí também jogo todas as dicas e sugestões de amigos.

Isso porque nem contei ainda como escolho hospedagem. Primeiro me informo dos melhores bairros. A seguir faço o mapeamento dos pontos de ônibus, metrô e pontos turísticos da região. Aí começo a procura (claro, limitada pelo $$). Pego os endereços e passeio pelo google street view/google maps. Escolho vôos e deslocamentos diversos tentando chegar/partir dos lugares ainda em horário comercial para pegar transporte coletivo e/ou melhores preços de táxis.

Aplicativos: sim. Para Buenos Aires já baixei o “como llego” para orientar no deslocamento na cidade. Além do accuwehater, que me serve desde antes pra decidir que roupas colocar na mala. E mapinhas, adoro. Quando desço no aerporto saio logo procurando um balcão de turismo pra pegar mapinhas da cidade que vão fazer parte da Pasta. Com letra maiúscula porque nela vai tudo, tudo: passagens aéreas, passagens de ônibus e barco, entradas nos espetáculos, translados pagos quando é o caso, mapinhas, programação, endereços de hotéis e reservas, cópias de documento, seguro saúde e o que mais for papel necessário pra servir de âncora nos dias de viagem.

O que eu gostaria de ter e não tenho, pra ter uma viagem ainda melhor: uma câmera fotográfica boa ou um celular com uma boa câmera. Mas não vai ser dessa vez, chuiff.