“Fiz o que pude. Acho que não fui tão mal”

Chegou 2022 com alguns aperreios inesperados. Cheguei nele com a decisão de ficar bem. De remover muros, cercas e sei lá mais quantas camadas de proteção que eu sei que uso, que nem o menino enrolado em plástico bolha do Pequeno Grande Time. Bora lá, mergulhar de cabeça, correndo o risco de partir uns ossos. Ou o coração.

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Desde que voltei pra casa eu não fiquei triste, triste de verdade. Nem alegre. Nem calma. Nem nada que se costuma usar pra definir um estado. Meio oca, talvez. Tirei uma foto do meu lindo óculos. E faço de conta que não quero saber se alguém viu. Tenho intenção de passar uns dias deixando o mar lavar a ferida. E bebendo mimosas. E caipirinhas. E cervejas. E alguma água de coco. Se ele soubesse – mas ele não vai – talvez ele pensasse: se eu vivesse com essa mulher, eu seria um alcóolatra. Digo eu: melhor que ser um adicto da infelicidade (perdoem, estou decompondo a amargura, espero em breve ter outros sabores). Minha pia está limpa, minhas roupas estão lavadas, o chão está aspirado. Ok, a cama está bagunçada e tenho livros demais dentro do quarto, mas, espiando rápido, 2022 já começa melhor do que terminei 2021. Eu não curto chá (ou infusão, como a Fal e o Fabi preferirem), mas tomei banho de camomila. E fiz uma pequena prece – para os deuses gregos, que são os únicos que conheço pelo nome e tal. Comi pizza ontem, comi pizza hoje. Com café. Doei coisas, ganhei uma churrasqueira de fogão, além de um batom nude e água micelar – tive que pesquisar pra descobrir o que é. Vi muitos episódios de queer eye sobre pessoas incríveis que trabalham muito pra fazer o mundo melhor. Fiz isto enrodilhada na minha preguiça. Foi confortador passar o ano só e confirmar que sou desnecessária. Estou lendo um conto com uma personagem se chama Glosspan. Nem precisa muito mais do que isso pra ser bom, não é? Preciso de uma luz mais forte no meu quarto. De um colchão novo. Ir ao dentista. De menos danos. Melhores planos.

Fiz o que pude. Acho que não fui tão mal”.  A frase do Maradona é a epígrafe de um filme. Gosto de pensar que funciona, também, como síntese das minhas ações em relação a, bom, essa coisa toda.

Eu nunca fui especialmente ligada em super heróis embora tenha lido muita, muita mesmo, revistinha na infância/adolescência. Essa ênfase na quantidade vinha mais pela facilidade de encontrar este tipo de coisa pra ler do que por uma preferência temática. Entretanto, em tempos recentes, a Marvel tem me oferecido um consolo parecido com aquele que advém dos romances policiais, especialmente dos livros da Agatha Christie. Eles me confortam. Colocam meu mundo no lugar, mesmo que temporariamente. Dificilmente eu poderia eleger meu Vingador preferido. Mas, ao longo do tempo, fui reconhecendo minha afinidade com um tipo de personagem: o mais humano – e, humano, aqui, simbolizando potencial para enfiar o pé na jaca. Na longa lista brilham Derfel, Boromir, Rollo e afins. É nessa tradição que se apresenta meu xodó pelo Gavião Arqueiro. O herói de mau humor. Que sai todo roxo dos embates. Que faz o que é certo porque, bom, é o certo. O que tem uma melhor amiga. Que se envolve. Que vê longe e escuta mal. Que brinca com os filhos, tem piada cúmplice com a companheira, que passa vergonha em público. Nesse 2022 só quero voltar a ser eu mesma, sem nenhuma pretensão de super poder, pendurada nos prédios por um nadinha, fazendo o que é certo porque é certo e, evntualmente, o pé todo atochado na jaca.

Das coisas que você precisa ouvir, mas eu nunca, nunca vou te dizer: você toma péssimas decisões.

Antes de conhecer você eu não tinha razões para viver. Mais, eu não tinha razões para morrer. Você me deu os dois.” Se eu fosse uma das criadoras do álbum, colocaria assim: “amar é”… ver sinais onde existem apenas coincidências e diálogos fracos. Estou assistindo A Roda do Tempo. A série é bem qualquer coisa, há desvios demais da história dos livros pro meu gosto, mas – tal como os personagens todos – estou envolvida com Moiraine e disposta a segui-la, mesmo me sentindo incomodada quase sempre.

Segunda temporada de Emily em Paris: um conflito besta que se estende em um segredo sem pé nem cabeça. Mas o personagem Luc cresceu bem e me diverte.

Andei vendo: Tick, Tick…Boom!; A Filha Perdida; Meu ano em Nova Iorque; Não Olhei Para Cima, A Mão de Deus. #aquecimentoparaoOscar

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