Pra que essa boca tão grande?

Enfiar o pé na jaca: uma arte que domino (ou me domina, ainda estamos negociando essa definição). Vai devagar, luciana. Deixa pra lá, luciana. Paciência, luciana. Escreve pouco, luciana. E eu de lobo, olhos enormes, braços enormes, nariz enorme, boca enorme. Fome enorme. Ir com muita sede ao pote, dizia minha vó. A sede parece não ter fim e demasiado ímpeto consegue, no máximo, partir o pote em pedaços como se um coração fosse. E era, talvez. O meu, o seu. O de alguém, já que eu piso em cacos e na palma do meu pé se misturam novas e antigas cicatrizes enquanto decoro o piso com desenhos de sangue. Percebe, Ivair, a rapidez com que mergulho no melodrama? Ela declara, de vez em quando, que moraria em um sótão com o você dela. Eu digo que moraria em madrugadas com você. Lindas e inúteis disposições, as nossas.  Queria acender um sol no seu peito. Sabe, Pavlov teria alguma dificuldade para explicar: todas as notificações do aplicativo, no celular, tocam igualzinho. Ainda assim, eu me ponho alerta quando é a sua. Adivinho. Sensível. Treinada. O coração dá um salto quando eu olho na caixinha de correspondência e tem cartinha. É engraçado que seja necessário tão pouco para me fazer feliz e você não se dê ao trabalho. Não, vou corrigir esta frase. Não é engraçado, nem mesmo no sentido que costumo usar essa palavra: engraçado como peculiar, estranho. Não é engraçado. É triste. Repito bem devagar, acenando a bandeira amarela diante do meu rosto: é triste que seja necessário tão pouco para me fazer feliz e você não se dê ao trabalho. Me perco no labirinto de meus afetos, vagando entre altas paredes de solidão enredada aos ciprestes. Uma das saídas será viver um romance de 1a guerra mundial? Trocar cartas, zero tecnologia e nenhuma palavra que evoque desejo, amor ou futuro porque pode ser que algum dos mundos acabe antes que seja possível conhecer a família e pedir em namoro? Ou a saída é mandar mensagens ambíguas para o outro moço, de vida arrumada e tantas coisas a equilibrar, mas que abre brecha pra rir comigo e, sim, se encontra nesse cais? Rir é melhor do que chorar, viver é melhor que sonhar, beijinho é melhor que brigadeiro. Keaton, Chaplin, Tati, você está vendo a melancolia atrás de todo riso? Acompanho as modalidades paraolímpicas com admiração, mas estou vendo rugby na cadeira de rodas só pra ver os choques e quedas. Então, por hoje, vou fazer hiato. Quase um sim. Se eu soubesse rezar: dai-me a coragem de não saber sobreviver. 

Ou vamos de Benett:

WhatsApp Image 2021-08-26 at 07.30.38

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s