Uma praia na Itália e Verissimos pelo correio

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Ganhei livros da Fal. Mais livros, na verdade. Ela, que já me deu tanto. Coisas, também, mas tão mais. Chorei ontem, quando recebi os livros. Chorei agorinha, quando fiz a foto pra me gabar por todo lado. Como cantavam os moços do MPB4, a vida não anda amenizando. Aprendi a fazer planos. Por exemplo: depois do turno da noite, pretendo beber. A única coisa que eu realmente preciso, na madrugada, é ficar longe do teclado para não mandar mensagens estúpidas com digitação tosca. Concluí que o efeito colateral do vinho é fazer as pontas dos dedos ficarem tão largas que a gente – a gente sou sempre eu – pensa que está apertando numa letrinha no celular e está apertando outras três. O mais humilhante nem é a mensagem estúpida (o que mais se pode esperar de uma adolescente apaixonada?) e sim os erros ortográficos, de concordância e as palavras ilegíveis. Tento assistir white lótus mas fico constrangida com as coisas que acontecem com os personagens. Um dia de cada vez, uma solidão depois da outra. Um respiro: a live do livro. Quase fui feliz. Você sabe bem o porquê. Além dos moços gentis e das palavras simpáticas. É bem difícil manter este ralo aberto no peito. Ainda tenho a varanda, carrego meus anseios pra lá e deixo-os respirar. Recebo musiquinha na caixinha e primeiro penso: porque você não. Depois fico contente porque ele sim. Como era a música, Caetano? Só vou gostar de quem gosta de mim. Eu era assim. Eu sempre fui assim. Nem sei como foi que você me mudou e eu ainda aqui, quando você, você não (eu sei que não é verdade. Eu sei que você gosta de mim. Mas eu preciso fazer de conta que não. Porque não basta. Acho que seria mais fácil se você não gostasse. Seria?). Então, ele sim. Música, foto, palavra. Presente. Me usa. Pretendo. Ele que não gosta de mim. Não desse jeito. Eu não gosto dele. Não dessa maneira. Mas gostamos de gostar um do outro de um jeito nosso. Bóia em alto mar. Sapato vermelho, caderneta, corpete. Magnífico. Magníficos. Um sorriso entre parênteses. No resto do tempo, arrasto a vontade de dezembros. Você, você é sumidouro. O dinheiro acabou mais cedo, então nem posso compensar com mimos, vinhos e livros toda essa solidão. Desligar o celular para dormir sem esperanças. Passar a noite sonhando com barulhinho de notificação e acordando a cada susto. Sonhei. Tem carta, pena, tinta que é sangue diluída em mar, portas abertas, encontros, tem eu e você neste sonho. Sonho que se sonha só é feito unha encravada. Lateja. Chega mais um diarinho que é como arrancar a casquinha do machucado. Gostaria de comprar morangos e laranjas. Gostaria de estar na foto em uma praia italiana. Opa, já estive. De casaco vermelho. Eu sou tão, tão bonita. É importante não esquecer.

itália

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