Moça com decote debruçada na janela, aquarela, 2021.

Quando a gente não sabe o que fazer. Quando a gente sabe o que fazer, mas não quer. Quando a gente sabe e quer, mas não tem, por exemplo, grana ou tempo. Quando a gente sabe, quer, pode, mas tem medo de não segurar o tranco. Quando a gente não tem mais o que fazer. Quando, esse lugar onde moram meus fantasmas.

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Exausta de, como boa histérica, andar por aí erotizando o mundo. Andar é o jeito de dizer, né. Moça com decote debruçada na janela, aquarela, 2021. Na tv, moços com arco e flecha e eu fazendo piada com Sherwood. Tenho poucas referências, mas são ótimas. Chegou pacote e as próximas cartas irão em papel lilás. Ela contou uma fábula materna do diarinho e além do tudo bonito e especial, tem o ouvir. Quantos mundos, eventos, decisões e rumos os outros podem inventar pra nós que nunca nos teria ocorrido. Gosto de habitar essas vidas minhas que desconheço. Conversinha boa no grupo do Cortázar. Aquele clima gostoso de álcool, cigarro e conversa decadente. Eu quase acredito que estou dizendo coisas interessantes. Os outros com certeza estão. E a minha dúvida não se refere à minha capacidade de, mas à impressão que sempre tive de que é muito difícil falar do que leio, porque o melhor jeito de dizer aquilo que deve ser dito já costuma ter sido usado pelo autor. Não dessa vez, porém. Ou não de todo. Um autor pode ser inteligente e ter consciência de que assim é, mas ficar chamando atenção pra isso, ah, não é de bom tom. Menos ainda, acho, partir do pressuposto de que o leitor é igualmente inteligente e, pior, igualmente (in)formado. De qualquer forma, boa leitura. Divertido, mas um tantinho pedante. Não foi uma análise unânime, ainda bem, os espaços foram cobertos com muita idéia boa e alguma fofoca. O personare manda avisar que eu segure a onda porque a lua e Vênus estão meio de ponta e isso significa que, se eu não me cuidar, vou me meter em treta e ficar mal vista. Por um momento rodopio em um grande salão e escuto Reth Butler me dizendo que eu posso viver sem reputação. Logo depois eu lembro que não sou uma dama sulista falida. As referências, as referências.

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Uma saudade dolorida de avião. Eu queria viver de férias, o quão absurdo é formular esse pensamento enquanto preparo aulas? Na vida real (que, nesse momento pandêmico, é o Twitter) uma ou outra aleatoriedade que empurra o tempo. Alimento o tumblr com Ofélias. Fui mal interpretada ao ser simpática? Preparo um bicuda, desisto, vou cutucar uma amiga e falo sobre, sem precisar ir pra praça. Olha aí, personare, obedeci. Preciso, muito, ir ao oculista. Giro sobre mim mesma na análise fazendo de conta que não estou falando sobre você. Seguro a mensagem que está na ponta do dedo. Até amanhã, até amanhã. Gasto um dinheiro que não deveria, mas é pouquinho. Mando pele, de presente. Esse merece. A caneta tinteiro dela estourou. Aqui, uma certa autoimagem também. Análise funcionando tão precisamente que 17:30 em ponto eu comecei a chorar, apesar do analista avisar que chegaria com algum atraso. Conferi o site dos correios, troquei a roupa da cama, tirei o lixo, tirei o sutiã (sim, eu coloco sutiã pra análise, nem pergunte). A amiga usou carinhosa para falar de Agnes Varda e seu cinema. Eu usei gentil. Falamos sobre a linha pontilhada entre confissão e ficção e constatamos que se alguém estiver lendo isso, jamais voltarei a ser paquerada. Meu único conforto é que paquera deve, mesmo, ser uma palavra aposentada já. Embora eu não tenha sido informada. A lua está tão bonita que até parece provocação. Ou um alerta. Gostaria de ter sido amada pelo Vinícius. Sim, o de Moraes. Todos temos muletas? Eu tenho: Luciana em italiano. Lutchana. Não tem erro, não tem mancha, não tem senão. “É barato viver como queremos e gostamos porque se paga com algo que não existe: a felicidade!”. Um moço tão novinho sai da piscina e me pede desculpas (ele pede desculpas a todos que torceram, eu torci, então pede desculpa pra mim, ué). Ele pede desculpas, a Maria Portela pediu desculpas, quase todos o atletas brasileiros que perdem sentem que fizeram um pouco menos do que eles acham que deveriam e pedem desculpas. Não deveriam, eles entregam tanto, já. Pelo visto, eu jamais poderia ser atlética olímpica, não sinto tanta culpa assim. Não sou boa. Nunca serei boa como a minha mãe. Nem como a mãe dela, aliás, que escuta a menininha no elevador. Nem como ela, embora a gente vá discordar nisso, eu sei. Mas tenho escolhido bons presentes. Chegará a madrugada e eu encarando os incongruentemente frustrantes tracinhos azuis. É assim. Me dá a mão, quero o braço. O ombro. O colo.

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Desnuda:

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