Gravei áudio lendo Adélia, como achei que ia me safar? ou Infinitena #dia484 #dia15nocalendáriokalúnico

Tenho de escrever email pra amiga, tenho de escrever email pra amiga, tenho de escrever email pra amiga. Não escrevi email para a amiga. Porque não consigo mentir pra ela, mas não quero que ela veja o que eu não quero ver e, muito menos, mostrar. Poderia usar aquelas palavras com as quais o Verissimo brinca e que ela, a outra amiga, a do diarinho, recordou: lorota, fornida, falácia, bandalheira, betume, cabriolé. Para não dizer: solidão, vontade, medo, desamparo, vergonha. Amor ou qualquer coisa tão triste quanto.  Visito minha irmã e rio tanto que choro. Não é o único pranto da noite. Atenção para a receita: cozinhe batatas em rodelas até ficar al dente. Na travessa, azeite, as batatas, tempera, mais azeite, forno quente. Tudo que começa com azeite e batata chega com a certeza de conforto. Corta a cebola branca em meia lua, fininha, fininha. Cebola, eu disse? Cebolas. Não seja sovina nesse momento. Uma frigideira e azeite. Mais um pouquinho de azeite, confia. Refoga até a cozinha rescender a afeto e a cebola murchar.  Uma pitadinha de sal. Eu gosto de ir temperando cada item. Alguma independência há de ser preservada. O salmão já foi temperado com um suquinho de laranja, pimenta moída e sal – aqui, mantenha a mão leve e a pitada miudinha. Sim, abuso dos diminutivos. As batatas estão encaminhadas? Despeja aquele refogado de cebola, coloca o salmão com a pele pra cima e volta pro forno até o peixe ficar no ponto. Seguimos com mais dicas: chorar no chuveiro, não mandar mensagens quando tem taças de vinho envolvidas, beber mais água que café, colocar uma pitadinha de sal na massa do bolo, aprender a dizer “bom dia”, “obrigada”, “desculpe”, “com licença”, “por favor” e “uma cerveja” na língua do país que você for visitar, andar nua sempre que possível. A mãe dela cantava Superbacana e ela curtia um bairro enganando as pessoas. Quando eu era pequena meu pai cantava Fracasso e Prece ao Vento. Talvez isso ajude a explicar os olhos tristes. Cantava também Marina – e eu chorava. Meu time trocou de técnico. Sai Ceni – chico contente. Entra Renato Gaúcho – chico descrente. Talvez seja hora de aceitar que o Flamengo de Jorge Jesus e as conversas de setembro foram deleite fora da curva. Anoto e perco todas as sugestões de livros, séries, filmes. A falta de jeito de algumas pessoas ainda me espanta. Hoje é dia de pizza e lembro do garçom italiano indignado com meu acompanhante que permitiu que eu, a partir de um certo momento, comesse só o recheio. Em minha defesa, a pizza individual era enorme. Saudades, sotaque italiano. E tudo o mais. Inclusive Coliseu sem filas. Que comecem os jogos. Pode ser que entre pessoas correndo, saltando, nadando, jogando peteca, o tudo que não é incomode menos. Que chorar pelas conquistas e derrotas e sonhos frustrados e realizados esgote água e sal de chorar esse vazio. O google acadêmico manda mensagem dizendo que é hora de atualizar meus artigos. Eu leio: meus abrigos.

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O problema é que a gente se apega a um tipo de equívoco. A gente sou eu, sempre, claro.

Pois é, vai sabendo, eu tenho um coração inquieto. Ele te procura, acho. Ou se procura, mas isso não é muito diferente. Se não estiveres em mim, não estarás em lugar algum que eu possa te saber.

Leia o que eu gosto e, se der, goste junto, porque gostando do mesmo, mesmo de jeitos diferentes, é um engodo bom pro viver tão só. É isso, vida, eu não posso reclamar de ninguém, escolhi o punhal.

Eu li pra você a poesia do peixe. Do peixe! Eu li Adélia. Eu li pra você. Eu afiei o punhal.

Teve o tempo do deboche: é régua, balança ou voltímetro que se usa pra saber desses negócio de maior amor? Agora é o tempo da expiação.

Estou vendo um monte de gente fina, elegante, sincera, marcando barzinho, encontrinho, reuniãozinha, biritinha. Tudo gente anti-bozo e contra tudo isso que tá aí, etc. Marcam tudo no diminutivo, talvez pra diminuir o impacto. Mas já se sentem confortáveis o bastante pra fazer isso em público. Sei lá, talvez eu esteja amargurada demais. Talvez eu tenha me apaixonado pelo exílio da alegria. Talvez minha dor de cotovelo me impeça de ver as brechas. Mas todo dia eu leio que se o número de mortes e internações tem diminuído (obrigada, vacina), o número de casos tem aumentado. Eu fico pensando se as pessoas esquecem ou simplesmente não dão a mínima pro fato de que a) muita gente tomou só a primeira dose, b) alguns grupos nem começaram a ser vacinados ainda. Então pra estas pessoas, a soma de muita gente circulando mais a nova cepa que é mais agressiva, torna tudo mais perigoso. Penso, volto a ficar em dúvida, estou exagerando? Será inveja?

Você não está vendo Loki. Claro que não. Sua vida é muito séria pra isso. Você nunca vai saber que eu sonhei um cobertor verde pra nós dois.

Eu tinha todos os avisos. Eu vi as placas. Li os anúncios. Recebi os memorandos. Tinha o histórico, curriculum vitae, tudo em três vias. Até as informações por debaixo do pano confirmavam. E eu caí direitinho. Quando o abismo olha de volta, a vertigem é certa.

Constrangida demais porque estou me sentindo muito a Rachel, bêbada, telefonando para deixar mensagem que superou. Superou sim. Confia. Tá superado demais.

rachel closure

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Já vi Friends. Claro. Alguns episódios, muitas vezes. Foi uma série que acompanhei, inicialmente, ao acaso. Se eu estava vendo tv e passava, eu via. Às vezes via episódios de temporadas avançadas antes dos mais antigos, etc. Sempre tive um carinho enorme pela série e pelos personagens. Depois minha irmã ganhou os dvds todos e vi tudinho, em ordem. Depois do depois, estava em Portugal, às vezes me sentia péssima e aí achei uns dvds piratas de duas ou três temporadas e nunca mais os dias foram insuportáveis. Assim, quando teve o reunion, eu vi. E me chamou a atenção como eles pareciam ter se divertido juntos, na época que faziam a série. Como parecia que eles tinham se divertido fazendo a série. Então, agora que assinei o HBO, resolvi rever. Sem pressa, quando dá. Vi a primeira temporada e me saltou aos olhos o que eu nunca tinha reparado antes: eles segurando o riso. Achando graça um do outro. Achando graça um no outro. Tem essas duas coisas que realmente aprecio: gente gostando de outras gentes e gente achando graça em algo. Lembro o quanto gostei de 11 homens e um segredo. Não conseguia saber nem se o filme era bom ou ruim. Eu apenas me divertia com o tanto que eles estavam curtindo fazer aquele filme. Clooney, Brad, Matt e a patota inteira. Farra é o meu esporte.

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