Mais uma dose ou Infinitena #dia475 #dia12

Um dia assustador, o dela. Queria estar perto, segurar a mão, colocar cubos de gelo na jarra deixando a água sempre gelada, contar historinhas bonitinhas, raindrops on roses and whiskers on kittens, bright copper kettles and warm woolen mittens. Por aqui, entendi que todos, todos, todos, todos os dias serão difíceis até o dia em que eu serei a mais fácil de todas. Não é que não seja o bastante. É que é de outra natureza. Eu sei que você gosta de mim. Como não gostar? Mas o que eu quero é um abraço e algum esquecimento. Lavei as roupas, oba, yay, palmas pra mim, mas o resto da casa está uma bagunça. Podia faxinar, mas fiz café e vou mastigar devagar o meu pãozinho com manteiga. President ou Aviação? Ostentação. Passei o dia todo um tantinho sentimental, lendo dedicatórias e ouvindo Mia Martini. Pensei que serviria de armadura. Bobinha. Como foi que tudo foi ficando parecido com você? Tento ver futebol e parece que estão arrancando minha pele. De baixo pra cima. Um dia vou rir disso tudo. Histericamente. Chegam figurinhas do Omar – o senador, não o moço gostoso do bar – pelo zap. Mando pra amiga. Será que ela riu? Fico sabendo do disco novo da Marisa Monte. Queria chamar a amiga na caixinha, mas me sinto oca. Ela vai sair de férias, não precisa do meu peso na bagagem. Tem livro novo na minha estante. E outro. E outro. E nenhuma palavra que me leve de mim.  Vacinas vencidas, pera, não estavam vencidas, governador gay, opa, a governadora era gay primeiro, o jumento de Tróia na cpi, olha, não tem brasil que aguente. Paguei o máximo de boletos no dia primeiro. Só de brincadeira, registrei um novo blog. Talvez aproveite pra guardar lá os melhores conselhos. Por exemplo: Se você tem recordação de coisa bonita que nem o título do Flamengo na Superliga Feminina de 2000/2001, guarde com carinho, um dia pode te salvar até de você mesma. Ou: uma panela maior é sempre melhor que quebrar o macarrão. E ainda: leia as histórias da Fal e tenha um divã de cetim. Dezoito horas e uma dorzinha fina, sei lá, vida.

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eu só queria mesmo um sorvete.
enquanto pangolasse na Villa Borghese. 

Tenho certeza que sempre tem um ponto da minha história que alguém pensa “ah, para, você está inventando”.

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Estou toda pintada de protetor solar passado aleatoriamente. Fiquei bonitinha, sabe? São coisas assim que me lembram que eu vou, sim, sobreviver. A tudo isso. A você.
Vamos lá, Luciana, um brinde.

ava

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