Infinitena #dia467 #dia04 #dia331nocalendáriokalúnico*

Ela disse assim: hoje. Mas foi ontem. Nunca fui boa com calendários. Mas sei que seria boa com você. Uma certeza a la Arnaldo. O Antunes, embora do Jabor a gente possa aproveitar a Fernanda de chapéu. Sim, a minha relação com arte é confusa. Aliás. Com a arte? Agora eu ri. De mim mesma, é como sai mais livre a minha gargalhada. Sim, sou dos sorrisos, você não errou. Mas também nos encontraremos no escuro. Um dia. Outro. Depois. Fiz um ovinho mexido, mexi no programa das disciplinas do próximo semestre, enchi uma caixa com víveres do fim de semana. Dei uma olhada na caixa de e-mails e senti um arrepio com a quantidade de mensagens da amazon. Alguém comprou livros demais. Na tv, as mulheres do vôlei brasileiro e seus bonitos sorrisos. No notebook, o lamaçal na transmissão da CPI. Pelas TLs, fotos de pessoas sendo vacinadas. Ainda me emociono. Pra melhorar, também aquele ele. Alívio. Brinde, prometi, Mas, eu dizia: ela disse hoje. Quando era ontem. Ontem foi a falta. Não de você, que é sempre (eu exagero, minha amiga se alarma, eu tento explicar que a palavra escrita cabe mais que o peito). Falta do amarelo. Do milho que se faz pamonha, canjica, mugunzá. Que se mistura com vermelho nas fogueiras, nas roupas, nas bandeirinhas.  Dia, não, noite, de sentir falta da sanfona, do salão, do corpo suando junto a outro corpo. Se algum dia eu precisar esquecer você, vou pensar assim: ele nem dança forró mesmo. Vou ver Loki. E Luca. E o mar. Não hoje, mas quase. Vi você. Das coisas que eu gosto em você: esse sorriso bobo no meu rosto. Se você visse o que eu vejo. Em você, em mim, no mundo. Se meu fusca falasse. Se a avó de não sei quem tivesse rodas. Se a gente pudesse mandar o Michael no lugar do Gerson. Essa jogadora de cabelo cor de rosa, no time da Turquia, é encantadora. Ainda me espanto como as pessoas fodonas de vários campos não entendem o uso da máscara (e não falo de negacionistas escrotos). Mais tarde serei vidraça. Já coloquei o vinho na geladeira. Ela disse: hoje. E disse: comentário tonto. Como se fosse eu. Fiz tudo certinho. Fui indo, fui indo. Vi a placa. Pare aqui. Vaga na garagem coberta e tudo. Mas o pé, o pé no acelerador. Na jaca. Chutando tampa, balde, tudo. E a cara batendo no muro. 

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Um comentário de nada enquanto Teresa Cristina cantava, um gole a mais de vinho e uma mensagem sua, uma desnecessária simpatia minha e o convite pra outro canal. Para quem não sabe, a miudeza embaralha a vida. Bem assim.

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As coisas que eu sei: sua vida não cabe na minha. Minha vida não cabe na sua. Mas umas horas em uma tarde de, sei lá, qualquer terça, pouco tempo, pouca palavra, pouca roupa, quando a vida vai dar uma brecha?

Ler as cartas da Simone de Beauvoir pra Algren, além da sensação de espiar pela fechadura, alenta. Toda carta de amor é mesmo ridícula, estava correto o moço lá. 

Eu tenho tirado muita selfies. Suspeito que a ausência do olhar alheio vai esgarçando o limite entre o dentro e o fora meus, entre o público e o privado, entre o que mostro e o que disfarço. Vou perdendo contorno, definição. Ontem comprei sutiãs e quase fiz mais do que falar sobre isso no twitter. Olha a falta da fronteira aí, gente. Na ausência dos olhares de desconhecidos na rua, de amigos em bares, de flertes, vou de selfies e noites de quinta. A selfie ajuda, me lembra quem sou, quem posso ser e quem fui. Mas o principal, não consegui decidir: de óculo ou sem?

*Calendário Kalúnico: significa nada não, gente, eu inventei

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