Infinitena #dia466 #dia03

Depois do depois, ainda a beleza. E a vida. A rosa do deserto em nova floração. Tal como o personagem antigo da Escolinha, porque mandar, porque não mandar, mandei-a-a, ela, a mensagem. Sempre que compro ou faço caponata eu olho e penso: por quê? com certeza não gosto de comer isso. Aí eu como e só falto gemer de achar bom. Também acho bom: os fios brancos na barba. Tal como me reconheço: li e escrevi. Misturei dias e é quarta e é terça e é dia de vôlei e futebol e, com sorte, um vislumbre de ginástica. Sim, estou me preparando para as Olimpíadas. Também fiz compras: sutiãs. Haja peito, aliás. Um é vermelho. Não uso espelho pra me pentear… nessa, acho, nem você me acompanha. No mesmo disco (LP, capa verde, uma coletânea de festivais) tinha também Cantiga por Luciana, com Evinha. E Filme Triste. Triste, mas não tanto quanto Crepúsculo dos Deuses. Preciso, mesmo, lembrar de chamar alguém pra consertar a máquina de lavar roupa. Aquele moço outro pensou em mim e disse uma espécie de oi. Eu podia ter batido pestana, acenado discreta, baixado os olhos, corado. Eu corei, pelo menos. E disse eu também e tanta coisa mais. É por isso que o povo se espanta, talvez. Vi a rua. E as pessoas na rua. Comprei liguinhas, o cabelo cresceu. Voltei pra casa com o envelope não enviado. A amiga recebeu o Éter. A outra, também. A outra, ainda não. Todo dia espio o site dos Correios e leio apenas: objeto enviado. Eu sei, fui eu. Chegou a entrega do supermercado: vem aí um fim de semana de mimosas. A rapidez com que eu vou de juro por deus de pés juntos que nunca mais para um nada disso, vamos disputar a lua seria divertido se um avião não fosse essa impossibilidade no hoje. Descasquei uma tangerina, cheira a alegria. Revi vídeos fofinhos da sobrinhada. Coloquei palavras aleatórias no google acrescentando, sempre, psicanálise e pdf, just for fun. Vejo pela terceira ou quarta vez o vídeo da meninada de Cuba falando de vacina e tal e coisa. Imagino gatinhos se enroscando nas suas pernas, madrugada adentro, tv ligada no filme Nomadland, imagino minhas pernas se enroscando nas suas não importa o que tenha na tv, pisco rápido, essa imaginação, ai, ai, postura, menina, como diria a professora de música da Fal (finalmente consegui ligar com o diarinho de ontem). Daí a pouco o banho, batom, vestido curto e analista.

eu continuo grande. seu coração é que ficou pequeno. eu continuo grande, sua imaginação é que ficou pequena. eu continuo grande, esse vestido é que ficou pequeno. eu continuo grande, sua memória é que ficou pequena. eu continuo grande, essa cidade é que ficou pequena. eu continuo grande, essa história é que ficou pequena.

I could stay home every night
Wait around for mr right
Take cold showers every day
And throw my life away
On a dream that won’t come true.
I could hurt
Someone like me

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