Bay. E eu.

bay

Tem essa série juvenil. E na série tem um casalzinho fofo que fica junto muitas temporadas até que um dia: vida que segue. E a vida que segue primeiro é a dele. Ou ele nota primeiro. E ela fica. E ela sofre. E as pessoas – todas muito legais – dizem a ela que vai passar, vai passar e tal. E, sabe, não adianta nada dizer. Ela se encolhe, se esconde, sofre em dobro, porque dói a ausência dele, do relacionamento, de quem ela era com ele e sofre mais, sofre porque parece em desacordo, mal educado, indelicado da parte dela continuar sofrendo apesar de tanto cuidado de todo mundo explicando que passa, que acaba, que não é tudo isso que parece ser naquele momento.  Apesar das boas intenções, do bem querer verdadeiro e do cuidado legítimo de todos que a rodeiam, ainda dói, porque naquela hora ali, não passou ainda.

Há sempre um tanto de gente com boas intenções. Quando não casei, quando escrevia a tese, quando perdi pessoas queridas. Todas lembrando que passa, que acaba, que não é tanto como parece naquele momento. Há até quem use essa lógica para 2020. E a pandemia. Se falo de desconforto, de angústia, do difícil que é viver cada dia, as pessoas, gentis e prestativas, me dizem que vai passar, que logo acaba, que é preciso sobreviver. E sim, eu acredito. Mas não adianta muito saber. Ainda dói. E me sinto indelicada, mal educada, fora de sintonia por não saber agir em consonância com todas essas tentativas e notícias boas que as pessoas gentis me trazem. Então me encolho, me escondo e dói em dobro. Porque, olha só, não passou ainda. Não desconheço o que é preciso. Coloco panelas no fogo, limpo a casa, faço meu trabalho. Vez ou outra, até sorrio num esquecer qualquer. E se não compartilho esperanças, carrego a teimosia de insistir na vida. Em algum lugar, eu mesma, ainda. Mas.

É isso. Tem essa série juvenil. Com esse casalzinho fofo que fica junto muitas temporadas até que um dia: vida que segue. A vida dele seguiu. E ela ficou. Ficou, ficou, ficou até não mais ficar. Não mais. Não tanto. Também ela, um passo, outro, dois pra lá, dois pra cá. Segue. Entra na dança. Na roda. E até sorri. Quem sabe, um dia, até diz, bem intencionada, a outro alguém: vai passar.

Eu me abraço, me embalo e penso: que venha minha próxima temporada.

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