Faltou o figurino

Mais de 80.000 mortos. Sabe-se lá quantas pessoas sofrendo a perda de gente querida. Já vivemos a distopia, só não percebemos porque não adaptamos o figurino.

Nunca esquecer: não são números. De vez em quando é bom visitar esta página: Inumeráveis.

125 dias de distanciamento e hoje apareceram duas notícias promissoras sobre vacinas.  Mas ainda leva meses, na mais otimista das versões. E, sim, eu não consigo deixar de me animar. Esperança é um negócio traiçoeiro mesmo.

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Mas a notícia mais animadora (e, ao mesmo tempo, menos, pois vivemos no brasil-sil-sil uma época estranha) é decorrente do estudo com soldados suíços: o resultado parece apontar que a gravidade da doença depende da carga viral. Assim, o uso de máscara e o distanciamento passam a ser ainda mais relevantes e desejáveis.

As voltas que o mundo dá (e às vezes a gente fica tonto): meu filho, ainda mais jovem do que o jovem que ele é hoje, vivia me falando do Átila. Eu tentava ouvir no youtube, pra ter assunto em comum, mas achava uó. Hoje é uma das pessoas que eu sigo com gosto.

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A máquina de pão queimou. Este mês eu soltei um pouco a mão e acabei gastando no limite. Tô aqui balançando se compro outra ou passo um tempo só de tapioca, cuscuz e chapéu de couro.

Tem sido cansativo, mas também muito recompensador, lecionar uma disciplina no semestre suplementar. O engajamento dos alunos à proposta realmente me emocionou.

Comprei umas máscaras, dessas que na propaganda parecem sensacionais. Comprei dando um desconto de que se parecem sensacionais, devem ser apenas boas. Pelo valor, de boas eu desci pra médias. Chegaram, experimentei. Putz, eu tava sendo otimista. Elas são ok. Ou nem isso: dá pra usar.

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Era uma vez, mas eu me lembro como se fosse agora. Eu queria ser trapezista, minha paixão era o trapézio. Me atirava do alto na certeza que alguém segurava-me as mãos não me deixando cair. Era lindo mas eu morria de medo, tinha medo de tudo quase: cinema, parque de diversão, de circo, ciganos, aquela gente encantada que chegava e seguia. Era disso que eu tinha medo. Do que não ficava pra sempre.”

Antônio Bivar, por Maria Bethânia no disco Drama 3°Ato, 1973.

Eu acho engraçado (naquele sentido que não faz rir, mas pensar) gostar tanto deste texto. Eu não era, nem sou, das que tem medo do que não permanece. E nunca pensei em ser trapezista, eu já tinha a certeza de estar segura, sem precisar do disfarce do picadeiro. Isso, de saber o amor, é rede de proteção que segue com a gente.

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Olha só: não tenho mais nada pra dar.

Mas era amor de verdade? Ou: você estava apaixonada mesmo? Me escapa, sempre, porque isso seria relevante (ou, mesmo, se possível determinar). O que esse mesmo ou de verdade pelejam pra representar é o que sempre escapa. Não há palavra para o real. Todo afeto é ficção. Como, aliás, todo o viver.

Meta: beber água e não me afogar em tristezas. Falhando miseravelmente.

Eu gostava de estar em outro lugar (conjugando em português de cá e de lá).

Cartas na mesa. Copos também. Ou corpos. A memória é confusa.

Em outra editoria: eu me despedi de você sem mágoa. Doeu, sarou. Passamos. Ou achei que. Lamento que o seu futuro tenha, de certa forma, roubado meu passado.

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Eu era viúva do Carlinhos. Acabei pensando, por anos e anos, que ninguém ia me proporcionar as emoções que ele provocava, nunca ninguém ia acertar meu time do jeito que eu sonhava. Era conformada em não desejar. E resignada de ter alegrias, nunca felicidade. Aí ele chegou e colocou tudo no lugar certo: riso e William Arão, só pra começar. Foi um amor intenso. Ele me deu não mais, mas justinho o que eu sempre quis, do jeito que eu quis. Tudo parecia possível. Mesmo quando o mundo adoeceu, saber que ele, eu, os homens, ainda seríamos no depois, me animava. Mas não deu pra ele ficar. Estou de coração partido? estou. Mas ainda amo um homem.

jeusas

Um homem que não tem medo nem vergonha de beijar outro homem. Jesus merece (e recebe) todo meu bem querer.

2 comentários em “Faltou o figurino

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