Quebradora de Correntes

“toda novidade não passa de esquecimento”

Li por aí que solidão não tem tamanho, tem peso. Há quem o carregue nos ombros. Eu uso pra calçar a porta. #reaproveitamentos

Quando se pensa “como cheguei aqui” geralmente se faz um balanço de todas as coisas que se fez. Dos passos dados. Das opções escolhidas. De vez em quando eu penso que é um reconhecimento equivocado. Cheguei aqui, também e principalmente, como resultado do que não disse, do que não arrisquei, do que deixei passar, do que não fiz, dos passos que não dei, das opções que não escolhi. Estou aqui, sendo essa, por causa de todas que me recusei a ser sem nem conhecê-las. Não que eu esteja arrependida ou não goste dessa. Fazemos uma linha de tempo para não ficarmos tontos com o espiral de existir. Finjo um “atrás” para olhar e e, lá, vislumbro um tanto de caminhos que poderiam ter sido percorridos. E, cada um deles, claro, com tantas outras bifurcações, encruzilhadas, trilhas e mais. Tendemos a lembrar das decisões como isso ou aquilo, mas a vida dificilmente é preto ou branco. Nós e nossa paleta é que somos limitados. Ou eu, vá saber. Tudo que não fui, inclusive os erros não cometidos, são mistério. Porque depois de um passo, mesmo em falso, há o depois.

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Eu não quero saber da sua fadiga de quarentena. Não quero mesmo. Não quero saber do foi só essa vez, da voltinha na praça, no jantarzinho com amigos – mas só os íntimos!, do encontro no supermercado com o novo crush do tinder pra marcar uma trepadinha ligeira. Não quero saber da volta do futebol nem da tarde no shopping. Me poupe de psicólogo que explica comportamentos por causa de amígdalas. Vamos falar de psicólogos e saúde mental na quarentena? Tem um monte de gente séria disponibilizando escuta – inclusive gratuita. Misturar no argumento gente entediada com pessoas que saem de casa pra procurar a porra de um emprego pra ter o que comer. Não estamos em situação de recolhimento oficial, né. Ado, ado, ado, mas não convide meu olhar pra ser cúmplice e meu afeto pra legitimar.

59.000 e tal mortos (provavelmente muito mais), quem tem casa pra ficar devia lá ficar nem que fosse de luto.

Entrevista incrível da Natália Pasternak no Roda Viva. A dor de ouvi-la confirmar o que eu sempre suspeitei (e falava): a importância que poderia ter tido nossa rede de agentes de saúde para informação, colaboração no diagnóstico precoce e incentivo ao isolamento físico desde, pelo menos, março.

Vejo pessoas falando de seus vários estágios na quarentena. Eu acho que sempre estive no mesmo: full-pistola e uma tristeza obsedante.

Ouvindo Belchior (cada um com sua bóia) cantando Mucuripe,  a verdade é que eu nem sou de sentir tantas saudades de lugares e naturezas como sinto saudades de minhas gentes, mas sinto falta de lá como se fosse de mim mesma. E é. Há mares. E tem Canoa e o Mucuripe. Amores.

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As correntes que quebrei, quebro e quebrarei, suspeito

Estados do Brasil que já visitei: Maranhão, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul (conta Brasília como?).

Estados do Brasil em que morei: Ceará e Rio Grande do Norte.

Livros que não li e queria ler: praticamente todos que foram escritos, os que ouvi falar e os que não. Nem precisam ser bons, basta serem livros (obviamente não estou tratando de auto-ajuda, livros religiosos, técnicos – a não ser psicanálise. Literatura, biografias, coisas assim, aí sim).

Livros que não li e passou o tempo, talvez: Ulysses.

Jogadores que influenciaram meu gosto por futebol: todos do Flamengo, Lothar Matheus, Cristiano Ronaldo, Maldini, Roger Milla, Sissi, Marta, Pretinha e Formiga.

Álbuns que influenciaram meu gosto e educação musical (spoiler: sou mal educada): aquela coleção “A Arte de”, uma caixa de óperas, Arca de Noé. A Bethânia dos anos 70 e começo dos 80. Um LP da Amália Rodrigues.

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E hoje é dia de #Brequedosapps. Toda solidariedade aos trabalhadores.

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