Esticando a baladeira

Quando não tem olho que olha, a gente vai perdendo contorno, meio desaparecendo, deixando de ser, será? Poder estar no teu olho, na tua mão, na tua letra é um pequeno, mas valioso, balão de oxigênio.

E, sim, hay desejo acá, mas nem é disso que se trata. É a sorte imensa de poder ser.

É bonito ir construindo um mundo de imagens e letras e cores e confiança e aceitação e leveza e sei lá quantos nomes mais pra dizer o que não tem limite, caixinha, registro. Gosto demais que sejamos operários juntos.

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Na editoria vizinha, meti o pé pelas mãos.

Não devia ser mais fácil? Ou eu que ando me cansando logo?

Por outro lado um quero você e tem que acabar a quarentena acho que eu gosto mesmo é de você , então nem tudo está perdido.

E essa lista do que quero fazer depois de só aumenta (especialmente a parte 18+)

No fim, no fim, eu estico demais a baladeira.

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Termos novos que detesto: empoderamento, narrativa, privilégio, romantizar. Termo que tenho xodó: disputa.

Uma ideia bem louca, mas um nome tão bonito, seria uma pena desperdiçar.

Amanhã começam as aulas e eu tô como? impressionadíssima que dá pra ficar mais preocupada com o primeiro dia que nas aulas tete-a-tete.

Eu parei de contar os dias da quarentena.  Os dias estão cada dia menos cada um.

Quantas pessoas morreram vítima do corna vírus, é a pergunta que a gente tende a fazer pra lidar com o horror. Mas é impossível dizer, engasgo, me comovo, me enraiveço, fico completamente desmantelada, é impossível dizer um número – não pela subnotificação – mas porque são inumeráveis.

O podcast Elástico Mental teve uma conversa ótima com o Tiago Nacarato (sim, aquele moço bonito do The Voice de Portugal que cantou Onde anda você) e o melhor de tudo é que saí de lá com um encantamento novo: o moço Luca Argel que faz um sambinha tão engraçadinho, tô toda na dele.

E eu que nunca imaginei, agora imagino. Em camas voadoras.

Estou apaixonadinha pela minha paixão por você. Todo dia vou te encontrar no fim da tarde, começo da noite. Você não me sabe, mas talvez escute os suspiros (mentira, vai escutar nada, se belisca logo, luciana, coração, opa, bola no mato que o jogo é de campeonato)

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Eu já senti todos os medos, eu já gozei de todo jeito, eu já morri no fim da história, eu já furei corações com salto fino, eu já toquei todos os corpos, eu já sangrei por todos os cortes, eu já conheço todos os gostos, eu já bebi todos os venenos. Eu já beijei todas as bocas. Eu vi o filme da Binoche. Eu sobrevivi.

Ela não disse nada disso, claro, esticou o braço, ofereceu a mão, um lado do rosto, roçou com os lábios o rosto dele, muito prazer.

 

Um comentário em “Esticando a baladeira

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