Zapidinhas

Já que não me levam pra suruba, quero pelo menos o bar e o torresmo.

De maneira geral eu acho que importa pouco se o outro amou e deixou de amar, nunca amou, achava que amava mas não amava, acha que não amava mas amava, acha que não amava mas ainda vai descobrir que ama. Viver uma separação pode ser duro, melhor fazer isso sem ter que dar conta do sentir alheio. É complicado fazer uma re-leitura dos tempos passados a partir dos sentimentos do presente, acho. A gente acaba pensando/dizendo que sentiu coisas que estão sendo sentidas agora ou, dependendo do que se sente agora, a gente olha pra trás e deduz: se sinto X agora, obviamente naquele tempo eu me sentia assim e assim. Não sei se estou sabendo me explicar, mas se você conseguir, se proteja um pouco e não se deixe magoar pelos motivos. Já há dor o suficiente no ato em si, esqueçamos as razões. Pelo menos hoje em dia tem Netflix. Todas às vezes que começar a pensar se ele isso ou aquilo, se você tivesse feito isso ou aquilo, se vocês tal e coisa quem sabe… liga logo a Netflix.

Lembro que meu pai dizia, quando eu era criança: se não tiver coisa boa pra dizer, não diga nada. Claro que o contexto era outro, mas suspeito que as notícias vão seguir assim, curtinhas, por um tempo.

eu sou uma pessoa constantemente deslumbrada, então pouco me choca pois já vivo de olho esbugalhado.

myga, sua louca, viver é contagem regressiva.

Nós temos ritmos diferentes, não há como esconder. Eu tenho a presa de saber o bem querer, você tem a paciência de deixar ele crescer como quiser. Eu uso mapas para tentar lhe desvendar, você me desenha à mão livre. Eu chego deixando malas, marcas, perguntando e procurando, você evita forçar portas, janelas, corações. Às vezes eu temo que minha impetuosidade lhe assuste. Às vezes temo que sua cautela me afaste. É engraçado perceber que minha zoada e seu silêncio falam a mesma coisa ou dizem da mesma coisa.

É seu aniversário e eu fico toda paba da minha vida encostar na sua, vez em quando. Desejo que os dias sejam frescos, que o café seja quente, que os lençóis sejam macios, que vez em quando alguém massageie seus pés, que os animais só morram de velhinhos, bem bem velhinhos, que haja risada vez em quando em algum cômodo da casa, que cheire bem o refogado, que a vitrola (que continuemos a chamar assim) cantarole os mais delicados acordes, que Antônio, Dean, Darín e uns outros tantos moços assim apareçam vez em quando para fazer boa companhia, que as pessoas decepcionem cada vez menos – ou que você as ignore cada vez mais, que o molho de tomate leve manjericão e que as dores dos dias – tantas, sei bem – não sejam maiores que as belezas. Te amo.

Como hoje a vida fere mais fundo (não, não fui eu, foi o Vinícius que disse) não mando beijos nem cheiros, sinta-se devidamente mordido.

Lamento demais não poder estar perto fisicamente, chorar com você, cozinhar pra você, arrumar gavetas, lavar e desembaraçar seu cabelo, fazer chá, fazer café, empacotar álbuns, dobrar lençóis, jogar fora calcinhas,  planejar mudanças, beber junto e te colocar na cama, dar o cafuné que você precisa.

se ao meno tu parasse quieto eu ia te visitar… pra nós viver igualado a sanguessuga nosso amor pede mais fuga do que essa que nos dão #momentogonzagão… mas tu só vive batendo perna pelo mundo (no que tá muito certo)

acho que a gente continua amando, mas tem que saber que ama uma memória, quem a pessoa foi, não quem a pessoa é. E, principalmente, a gente ama quem a gente acha que era com aquela pessoa. Não digo que não tenha casos de reencontro em que a pessoas se amem no hoje, mas aí é como se fosse um relacionamento novo, é outro amor porque são outras pessoas envolvidas, pessoas que aquelas que elas foram são importantes pra ser quem elas são, mas já outras.

Faltando você, então faltou quase tudo, mas vi os viajantes, bebi com minha dona, ganhei torresmo, vou comprar lichia. Então sobreviverei. Tristemente, é fato, mas na vibe Scarlett.

Uma coisa: a gente usa morno pra definir relações que a gente acha que não estão bem mas, olha, morno é bom. Não queima a língua, se for sopa. Não mata de calor nem faz sofrer de frio. Um lugar morninho pra se enroscar é tudo que queremos quando venta demais. Sei lá, talvez antes de decidir qualquer coisa seria bom dar uma conferida no que são as reais expectativas e o que é mesmo a tal felicidade.

o certo é que tem que ter um #bolsaamizade ou, pelo menos, desconto nas passagens aéreas.

fotodecapa

Um comentário em “Zapidinhas

  1. Parece que todo o começo desse post foi feito pra mim, que me afogo no (des)amor do outro. Eu amei, ponto. E não deveria importar a dimensão do outro, o que viesse seria lucro. No fim, me disseram essa semana (eu só não lembro se foi uma conversa de travesseiro ou de página aberta no navegador), é tudo coisa do ego. A gente vive tropeçando nele. E sobretudo: “a gente ama quem a gente acha que era com aquela pessoa.”. Do ano passado pra agora me toquei de que as malditas borboletas no estômago são ansiedade. E fiquei me perguntando se quero mesmo ficar sentindo isso. Não sei se quero, mas estou condicionada a dizer que sim, quero. Não sei. Como você disse, morno é bom. Não queima.

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