Comida, cinema e relacionamentos, tudo sem receita

Bacalhau a Espanhola feito a quatro mãos (ou algo inspirado no Bacalhau a Espanhola, enfim, receitas particulares e únicas, melhores receitas).

Duas dessas mãos cortam cebola, cortam alho, descascam e cortam cenoura bem miudinha. Depois as mãos acompanham o corpo e vão pro cantinho da mesa, com uma taça de vinho entre elas e ficam beliscando chouriça e queijos vários.

As outras mãos, que já serviram o vinho, que já dessalgaram o bacalhau, que já arrumaram a mesa, cortaram queijos e chouriças, agora colocam a cebola em um lago de azeite. Entretanto (o do lado de lá do mar), descascam e cortam em rodelas mais cebolas, pimentos vermelhos, tomates, batatas. De quando em vez, mexem o refogado.

Mais vinho nas taças de todas as mãos. Deixa a conversa assentar no ar tão frio que as palavras congelam um pouquinho antes de seguir caminho. As mãos encontram-se em ensaios de abraços e apartam-se, como se soubessem a saudade que um dia seria. Voltam as mãos segundas para o vai e vem da panela enquanto as outras, primeiras, se consolam no pezinho da taça.

Ao refogado, juntam-se os pinicadinhos cenoura e alho. Em camadas: batata, tomate, cebola, bacalhau, pimentos e tudo de novo, vezes e vezes. Aqui e ali, uma folhinha de coentro. Azeite como quem se esquece. Uma garrafinha de cerveja. Deixa o fogo ser tempo. Meia taça do vinho também na panela.

Espera o cheiro. Cheirou? Mais vinho nas línguas, mais alegria nos olhos, mais mãos nas mãos. Mesa posta.

Oscar 2020: Wild Rose

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Gostei demais de ver esse filme. Tem um bocado de coisas que me agradam, musiquinha, fuga de clichês, personagens cativantes, um pé na realidade outro no improvável, gente, gente, gente. Ok, tem um umbigo enorme que é meio vórtice e acaba que tem personagem que entra e sai e a gente não sabe pra onde foi mas, no frigir dos ovos, nem nos incomoda porque a protagonista tem aquele jeito cativante e a mãe dela pode sair cantando com a meryl streep a qualquer momento.

Críticos homens revolts porque em Wild Rose a narrativa parece sugerir que a maternidade atrapalha as ambições profissionais da protagonistAHAHAHAHAH SPOILER: ATRAPALHA SIM e nem é só no filme. Não a maternidade em si, mas as formas que podemos exercê-la, configuradas pelas relações sociais e talz (nem devia ter que explicar, mas, né).

Tendo visto Judy, recentemente, só posso ficar contente que embora a indústria ainda seja um moinho, tanto tenha mudado no mundo para as mulheres – por sua própria luta, destaque-se. Há caminhos.

É filminho com mensagem? é, mas é britânico, então nem ofende.

Este foi mais um momento… Correndo pro Oscar 2020: impressões aleatórias e meio sem fôlego de uma apaixonada pela breguice da premiação 

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