Terra Vermelha

mas este feriado eu fui pra Canoa e Canoa é minha terra vermelha de Tara. Em Canoa tem festival de blues e caipirinha gelada e sotaques variados e crianças na escola cantando em roda o Canto do Povo de Um Lugar e velhinhas vaidosas de maiô, chapéu e colares à beira-mar e pais passeando com carrinhos e bebês de madrugada e uma rua chamada Broadway e pastel de arraia, às vezes com banana! e gente que faz tererê e massagem no meio da muvuca e um bar ridículo chamado bar dos bombados e uma pintura do Belchior e barraca que vai buscar você na pousada de buggy e cerveja gelada e cerveja quente e arranjos amorosos de toda modalidade e reggae na praia em noite de lua e adolescente tocando violino e tem aquele mar que eu não sei explicar mas faz parecer que um dia a mais de vida vale toda pena (e são tantas) mas tem Canoa e Canoa é minha terra vermelha de Tara. Canoa é tão em mim que quando falo dela eu escrevo sem pontuar direito porque justamente Canoa me faz respirar diferente.

eu tinha um plano. planilha de excel com projeção de custos. documentos no protocolo. datas revisadas. consentimento de chefe, amiga-irmã-colega-de-trabalho cobrindo uns dias. daí vem esse dólar e como é mesmo que se diz? white people problem mesmo quando não se é tão white assim.

pessoas queridas visitando cidades que eu amo me dá uma saudade chega pinica.

assumir que não cabe no orçamento. mas dói.

eu gosto de mar. de boteco. de conversa sem rumo. de beijo na boca. gosto de gente. de prédios antigos. de fazer a mala. de comprar passagem. gosto de torresmo. de queijo, gosto muito de queijo. gosto de abraço, de contar história. de contar muitas vezes a mesma história. de ouvir. de abraçar. de fazer ciranda no terreiro, de fazer ciranda a beira mar, de fazer ciranda em reunião, aula, o que for. gosto de blusa decotada. gosto de batom vermelho – mesmo esquecendo de usar. gosto de cafuné. gosto de pele com pele. gosto de fresta, de brecha, de fenda, de deixar em aberto. gosto do quem sabe. gosto.

phantom2

Tem, na vida, aqueles momentos que a gente já vive sacando que são “de cinema”. A luz é perfeita, os diálogos azeitados, até trilha sonora aparece. O duro é depois voltar pro dia a dia de programa de tv com baixo orçamento.

 

 

 

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