Coisas desconexas ou eu me dou mal até nos memes

Coisas desconexas que sei fazer: qualquer coisa que eu faça já que sou desconexa de berço.

Outro: as pessoas listando o que as marcou em cada ano desta última década e eu não consigo lembrar nem o que jantei no sábado passado.

Eu quero muito, muito fazer uma coisa. Essa coisa me assusta demais. Não é de bouas financeiramente. Aí eu não sei se estou pensando em não ir porque sou racional, ponderada e adulta e sei que não devo me endividar por um ano ou se estou desistindo porque estou com medo e estou disfarçando colocando a culpa na grana.

E eu sou gulosa, né, podia ser só o bolo mas eu quero com cobertura e cereja.

Luciana, não vi nenhum comentário seu sobre o óleo no litoral do Nordeste. É que eu não consigo gente. Não consigo. Eu tô morrendo junto.

É estranho como desejar uma coisa diferente pode soar ameaçador. Ou como as pessoas podem ser condescendentes imaginando que tem algo que é muito superior. Spoiler: não tem.

O que  tenho é esse livro Cobras do LFV, mas emprestei e não sei a quem, chuiff.

São tantas coisinhas miúdas… e a menor delas sou eu.

A humanidade sonha: viajar no tempo.
Digo eu: é fácil viajar no tempo.

Antes do protesto e das provas em contrário, reafirmo, é fácil viajar no tempo, é bem assim: uma noite estrelada e uma pessoa a mirar o firmamento. Eu. Ou você. Pronto. Os pontos de luz que atravessam nossa retina surgiram há milhares de anos. Algumas até já desapareceram. É isso, vemos e vivemos, ao olhar para estrelas, um evento que aconteceu há séculos. O tempo, o aprisionamos nos olhos ao bem abri-los. O tempo nos aprisiona em seu mistério ao bem fechá-los. Porque quando fechamos os olhos para melhor sentir seja uma carícia, seja um doer, queremos nos colocar fora dele – tempo – mas é justo aí que ele opera, passa sem o sabermos e logo há histórias demais em nossa pele. Somos transitórios, é o que o tempo nos diz e, ao dizê-lo em estrelas que deixam de existir quando ainda as vemos, oscilamos entre finito e eterno. É na beleza deste intervalo que a gente reconhece: ainda não, e nesta brecha a vida se sabe mais.

Contar o tempo em xícaras de café, folhas que se amarelam – nas árvores e nas mãos, em beijos, sabores na ponta da língua. Deixar que seja o corpo o que ele se encaminha pra ser e rir-se em rugas nos cantos dos olhos como se dissesse: o seu tempo é o meu. O meu tempo sou eu. Então, espero a noite, vou pra varanda, abro bem os olhos e vejo estrelas que sussurram historietas de olhares outros. É bonito isso, de não estarem mais em lugar algum e ainda poderem estar em tantos olhos distantes. Estendo a mão, simulando um toque que transpusesse espaços. Em vão. A mais imperfeita máquina do tempo é a saudade.

 

 

 

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