Violinistas no Telhado

“todos nós somos um violinista no telhado,
tentando arriscar uma canção simples e bela
sem quebrar o pescoço…”

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Fico esperando o balanço que a Fal faz aos domingos como se, em mundo paralelo, nos encontrássemos pro café da manhã, bebêssemos mimosas e gargalhássemos da nossa inaptidão pra existir. Como se no tal mundo paralelo o mais grave fosse nós não sermos sei lá o quê que ainda pensaríamos querer ser. Fico esperando o balanço de domingo da Fal como quem espera uma fresta pra beleza. Uma bóia.

Todos os outros dias que não são os domingos do balanço da Fal há destruição e feiúra, muita, muita feiúra. Todos os outros dias que não são os domingos do balanço da Fal eu tenho que respirar fundo, vestir as roupas e as armas de Jorge e partir pra briga, digo, pro mundo. Ouvi agorinha Bethânia dizendo: não existe felicidade, só alegria e coragem.  É preciso coragem para sobreviver à feiúra, à vida sem cor, sem riso, sem elegância, sem charme.

Eu não aguento mais o paletó maior que o corpo, a grosseria, a falta de delicadeza, eu não aguento mais queimadas no lugar do verde, angústia, olhares vagos, pessoas ansiosas, adoecimento, gente triste, não daquela tristeza que faz rima e música pra Salmaso doer em nós mas aquela tristeza de não poder responder sim para um filho, de não poder comprar um mimo, de não ter tempo pra ler um livro, de não poder escolher um rumo, de não saber se terá esperança de ter esperança.

Eu leio pessoas muito mais sabidas que eu dizendo que não é tempo de chorar. Há algum desprezo por quem sente. Como se sentir demais, sentir muito nos tirasse a coragem. Porque é tempo de luta, não é bem visto sentir. Eu não entendo bem como uma coisa exclui a outra. Eu vou pra rua e dou a cara a tapa porque me dói demais ver definhar o que Bethania canta e chama de Brasil profundo, mesmo que pra mim ele esteja bem aqui no raso, na borda, na beira da praia. Como a banda de moebius.

Então eu vejo o Pan e me emociono com as pessoas que atingem marcas, que sonham com pequenos avanços, que planejam conquistas, que traçam rotas, que sabem onde querem chegar. Porque eu, eu estou muito perdida. Eu só queria viver naquele mundo que quase foi. Eu só queria viver aquela promessa de beleza. Por isso, aos domingos, eu vou ali, no blog da Fal, espio as palavras que ela arruma de maneira tão linda, mando beijos no meu pensamento pra Maliu e sobrevivo.

*****************

Se não é possível evitar a dor de quem a gente ama demais, devíamos poder confortar. Uma dor que não devia ser, não agora, não assim, mas não tenho palavra, não sei o que fazer, não há o que fazer. Estava eu vivendo os grandes, imensos horrores de toda a sociedade e quase esqueci da possibilidade da dor íntima, privada, próxima, direta.

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