Despacito

O plano original era não ter planos (daí se depreende a ironia da coisa). Mas vai chegando mais perto e a vontade de escapulir do tempo presente para uma suposta alegria futura começa a colocar ideia na cabeça. Isso e a mudança de pouso. As distâncias e a preguiça serão as conselheiras mas acredito que uma subida por dia tá de bom tamanho.

Deve ser bom ser de um país que é potência no esporte e ganha medalha até perder de vista, tipo os EUA. Por outro lado é doce saber o nome de cada medalhista, saber o cep de cada conquista, lembrar cada pódio, cada riso, cada lágrima, deles e minha.

Vendo estas delegações miudinhas, gente tão disposta, tão valente. Tô aqui pensando que talvez os atletas me comovam tanto porque eu não tenho, não lembro de jamais ter tido, propósito na vida.

Fleabag não é nada, não é nada, não é nada, até que é um soco no estômago.

Fazer umas 60 panquecas.

Não quero falar sobre isso para que não vire história. Não seja história sua voz rouca com pausas engraçadas, não seja história a mão grande que brinca de esconder a minha, não seja história o jeito nervoso de empurrar o óculos deslizando da ponta do nariz até encostar na testa, não seja história o jeito de colher minha lágrima no meio do caminho, de beijar o canto da boca, de olhar meio espantado meio encantado quando gargalho, que não seja história o café forte, o girassol desconcertante, o livro na cabeceira. Não seja história, não seja memória, não seja lembrança que eu vou esquecer.

Uma revelação surpreendente: eu faria o moço de Despacito. Mas, né, de maneira geral eu pegaria geral.

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