O que resta

Antes das lamentações, o bom: ir a Minas e receber tanto, tanto carinho (e não acertar uma tapioca, que vergonha). Umas crianças lindas, benzadeus. Ainda tem a beleza das  amizades que a gente não precisa dizer nada, mas a gente diz mesmo assim porque, né, tão sabidas as ideias.

De Minas trouxe queijo, doce, cachaça e tanta, tanta saudade.

Olhar o futuro nos olhos e mergulhar na desolação.

Tô precisando de uma atualização da poesia do Pessoa, todos os amigos sendo, senão príncipes, valorosos e resilientes, aparando golpe a golpe com galhardia, e eu, ridícula.

É tanta desolação que nem celebrei convenientemente que agora o diploma tá valendo aqui na terra brasilis. Talvez porque eu perceba como isso é irônico, passa a valer quando a educação, a cultura, a ciência, já não parecem ter valor.

Eu e sinto partindo de mim. Já não é tão fácil o riso, já não é tão sempre a alegria.

Mirando: 26 de agosto.

Aída dos Santos, que mulher.

Tem esta foto do João Gilberto e ela sintetiza um tanto do que eu sinto: a possibilidade de um mundo mais delicado, mais elegante, mais bonito, partindo e me deixando tão, tão só.

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E entre lágrimas lavo pratos, dobro roupas, corrijo trabalhos, limpo a geladeira, organizo temperos, rego as plantas, limpo banheiros, escrevo posts.

Talvez eu esteja matando meu cacto afogado.

Hoje meu pé tá gelado, não teve um esporte que eu tenha torcido e tenha rolado um resultado positivo. E hoje eu só vi tv. Ou seja.

Mas antes do futuro tem uma semana em Canoa Quebrada.

 

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