Desertos

Um dinheirinho pra ajudar na solidão dos dias futuros.

Tão escaldada que nem consigo ficar contente.

Quando tem amiga, quando tem cerveja, quando tem forró, quando tem beijo na boca, quando tem carne de porco torrada, quando tem barulhinho de mar, quando issos e aquilos, até que dá pra fazer de conta que se vive, que se ri, que quem sabe. Mas escrever, escrever é sem retoque, sem ardil, sem disfarce. Escrever, apesar da piadinha tosca, é sem faz de conta.

Tenho cada vez mais o que dizer mas no árido me escapam todas as formas de fazê-lo.

Escrever sobre não escrever é um truque antigo que já foi realizado com bem mais qualidade.

E se eu te perguntasse apenas: pode ser ou tá difícil?

Ou talvez essa tristeza toda seja porque não tem mais delivery de sushi na cidade.

Guardarei estes dias no canto da boca, como a promessa de um sorriso. Eu já escrevi umas coisas bonitinhas, vai.

Temo ter me tornado embaraçosamente repetitiva.

Uma vida em que eu ficasse em cafés ou botecos, lendo, bebendo cerveja ou vinho conforme o clima e fumando. Se é pra viver na solidão, que seja suave e fotogênico.

Eu tenho saudades sim, mas é do futuro que já não terei.

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