Um bem querer baobá

A primeira vez que eu ouvi falar de um baobá eu não ouvi falar, eu li – e foi n’ O Pequeno Príncipe. “Dia a dia eu ficava sabendo mais alguma coisa do planeta, da partida, da viagem. Mas isso devagarinho, ao acaso das reflexões. Foi assim que vim a conhecer, no terceiro dia, o drama dos baobás“. Imagino que esta seja a primeira vez de um bocado de gente, toca aqui, galera. Conhecendo o baobá por lá pode ser que uma parte significativa das pessoas o veja como ele se parece para nosso principezinho: uma ameaça. Um baobá tipo lobo mau pra quem a chapeuzinho vermelho, espantada, pergunta: pra quê estas raízes tão grandes? Mas eu não lembro de ter pensado sobre ele, seja em que tempo for,  nestes termos. Para mim, não era o baobá que era grande demais pro planetinha, era o planetinha que era pequeno demais pro baobá.

O afeto é meio baobá (lá vem a moral da história, apertem seus cintos e peguem seus saquinhos de enjôo), pode ocupar um espaço enorme e aí, um tanto de vezes, a gente preserva a estrutura do nosso mundinho fazendo como o pequeno príncipe: depois da toalete do corpo, a toalete do planeta; expurgamos as sementes de baobá antes que venham a ser o que podem vir a ser. Mas (tem um mas? tem sim, porém um mas que nega a negação) diferente do B 612, nosso mundinho pode crescer e já não seremos pequenos demais pro bem querer nem ele grande demais a ponto de nos desmantelar. Raízes fortes bem assentadas em terreno fértil.

Um baobá tem uma coisa de mágico justamente pela sua intensa materialidade e concretude. Tocar um baobá é saber o tempo que foi, que é, que vai ser. Não por acaso há uma mitologia que nos conta que se alguém for enterrado no tronco do baobá, sua alma viverá pra sempre… e como duvidar de?

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Este fim de semana estive ao pé de um baobá em um dia de abraços, nele e em gente tão querida que eu me vejo querendo ser mais e maior pra que o bem querer que sinto por eles caiba folgado.

Eu admirava o Hugo antes de saber que o Hugo era o Hugo. Duvida? Tenho lá, no Borboletas um texto dele, tão antes da Renata me dizer: olha o Hugo, que maravilha de pessoa. E ela sabe do que fala porque, né, ela mesma essa fonte de maravilhosidade. E gente querida apresentando mais gente querida, era um, era dois, era três, a gente canta que nem o Edu Lobo, olha que foto linda, nós quatro e o baobá, tão ele, tão grande, tão sempre, que nem a alegria que eu tava sentindo, nenhum dos dois cabe na imagem. Foi conversa fácil, riso solto, café que vira almoço que encosta no lanche que se engancha na janta e abraços, eu já falei dos abraços? tão bons os abraços.

Saber pessoas como o Hugo e a Renata me lembram que a vida é mais.

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