O problema é o amor

O problema é o amor, ela quase diz. Ou a sua versão mais difundida. Acreditar que. Como se fosse a febre e não a ternura e uma certa falta de imaginação que nos levam – ao fim do dia, todos os dias – de volta pra mesma casa, pra mesma cama, pro mesmo abraço, pra mesma troca de palavras ou de fluidos, pro conforto de não precisar ser, por um momentinho que seja. O problema é o amor ou seu marketing caprichado, a impressão de que é preciso uma lingerie nova para um desejo antigo. Como se fosse necessária uma desculpa para abrir conta conjunta, comprar lençol de muitos fios e uma panela de ferro, entrelaçar pernas antes de dormir, segurar a mão quando troveja ou se recebe uma notícia ruim. O problema é o amor, a frase preparada tenta escapar pela garganta apertada, dentes trincados, lábios cerrados e sai meio gemido meio tosse, ele não entenderia, ela engasga, ele levanta a cabeça atento, esse ele que franze a testa, que vai buscar um copo d’água, que dá tapinhas carinhosos em suas costas, que esquece a mão na curva do quadril dela na displicência do gesto costumeiro, esse ele de traços borrados, que ela já nem saberia descrever, confusa sobre os limites entre o outro e quem ela se tornou. Depositando o copo na mesinha ao lado ela se encaixa no abraço de sempre, sem susto, sem ânsia, o problema é o amor, ela não esquece, mas, afinal, ema, ema, ema.

lady

Se você tem recordação de coisa bonita que nem o título do Flamengo na Superliga Feminina de 2000/2001, guarde com carinho, um dia pode te salvar até de você mesma.

Tenho mais pudor de dentista que de ginecologista.

Porque a gente não pode morar naquela lembrança boa?

Trabalhe com o que você gosta e quase nunca você vai lembrar porque já gostou daquilo.

Amar é sofrer, verdade verdadeira em dia de jogo do Mengo. Aí a gente vence e esquece a dor toda, vai entender isso de torcer.

O dia a dia me protegia da vida. Só que hoje complicou, quem me protege do cotidiano?

Status: reconhecendo que não vai dar.

Lema do governo: sete palmos acima de todos.

Se junho, com suas fogueiras, sabores, ritmos e pessoas amadas, não me fizer melhorar, melhor deixar pra lá mesmo.

Passei a gostar mais ainda de guioza depois que vi como é feita.

Na aula de hoje: vida ou trator?

Lembrando:

Voltar para um abraço como quem atraca no cais. E deixar o lodo cobrir o casco.

Entreabrir a persiana ou escancarar a janela não faz diferença, será dia enquanto for e, depois, não mais. Vale o mesmo pro amor, acho.

Todo amor acaba. Todas as pessoas morrem. A diferença entre a caixa de kleenex e o conto de fadas é o que chega primeiro. Final feliz é quando a gente morre antes do amor.

Eu queria ter te amado melhor, sabe. Não mais, não há régua ou balança para dimensionar bem querer. Eu não podia ter te amado mais, eu te amei inteira, eu te amei em cada linha escrita, eu te amei em cada livro ou disco enviado, eu te amei em lábios e pele e ânsia. Mas sim, eu queria ter te amado melhor.

 

Um comentário em “O problema é o amor

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