Shame

E se os desejos fossem cores de um vitral antigo, dançando em meu rosto, você saberia?

Eu tento não fazer generalizações e tirar conclusões sobre eventos aleatórios mas estou achando que um sintoma do que nos levou pra esse fundo do poço com lama tóxica é a falta de interpretação de texto. Pois tem quem ache que o Capitão América não assinou o tratado de “paz” porque ele precisava de guerras pra dar sentido à vida dele.

Eu resolvi reler As Crônicas de Gelo e Fogo. Faz 3 dias que cheguei ao capítulo em que Rei Robert morre, naquela momento em que Ned convoca o Conselho. Daí, parei.  Suspendi a leitura e com ela a tristeza, a perda, a violência. Suspeito que eu faria bom uso se por um tempinho eu pudesse interromper não só a leitura, mas, sei lá, os dias. Estes dias.

“Perguntar-te-ão como atravessar a vida. Responde: como uma corda esticada sobre o abismo. Belamente. Cuidadosamente. Impetuosamente.” 

Será que você pode chegar logo, por favor? Chegar com seus olhos desconfiados e serenos, com suas mão grandes e curiosas, sua voz rouca, suas idéias extravagantes, sua história tão outra da minha. Será que você pode se apressar? É que deixei todas as portas abertas, todas as janelas abertas, todos os olhos abertos, todos os poros abertos, despi-me de história, espero-te nua e, agora, faz muito frio.

Às vezes eu me copio, às vezes o arquivo de um blog é apenas uma inesgotável fonte de vergonha.

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Em círculos, eu escrevo em círculos. São os mesmos desejos, as mesmas figuras, as mesmas  palavras. O mesmo ponto final, sempre desejando ser vírgula, intervalo, suspiro antes que, de novo, seja o vazio. Em círculos, escrevo em círculos, não se vai a canto algum, todos os lugares são sempre o mesmo, aquela estação onde seguro um coração em forma de mala e não se sabe se é uma chegada que eu espero ou uma partida que planejo. Em círculos, eu escrevo em círculos como palavras fossem braços e eu pudesse – em ditos – trazer um corpo para cerca do meu, em círculos, como se as palavras não fossem engodo e toda memória não fosse ficção. Em círculos, eu escrevo em círculos, como se a repetição pudesse, um dia, tornar-se redemoinho que entontece e arrebata. Em círculos, eu escrevo em círculos, talvez por isso me quede meio enjoada.

Vida é o que acontece entre uma impossibilidade e outra.

Quando seu medo não é de que esteja acontecendo alguma coisa, mas de descobrir que está acontecendo alguma coisa e ter que agir em relação a isso. Daí você fecha os olhos, trinca os dentes e tenta ignorar aquela pontada inconveniente.

Fiquei matutando porque não acompanho mais basquete como antes e estou achando que é porque não me dou com a voz dos comentaristas.

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