Tengo te extrañado

Vi todo mundo se apaixonar por uma Daenerys fodástica, mãe de dragões, quebradora de correntes e sei que lá mais. O momento em que eu encontrei onde ancorar afeto demorou. Foi quando ela olhou ao redor e se viu só.

Não nos demoramos neste encontro, daqui a nada lá estava ela querendo tocar fogo em tudo.

O inverno está chegando, eu nunca tive chance de me interessar por outra casa.

Você vai. Você volta. A cada ida e vinda, mais tempo leva pra retornar, menos se demora aqui. Suspeito que você vai cada vez mais longe até o dia em que se perderá no caminho ou, mais provavelmente, perceberá que o cansaço é maior que a promessa. Porque é isso que te faz tentar outra e outra vez: a ideia de que algo pode dar certo. Você aprendeu todos os clichês, inclusive o da permanência. Eu não estou rindo, ainda tenho ganas de lhe confortar. É quando se desvela a impossibilidade do encaixe que você desiste do aqui para procurar em outras paragens. Eu lhe encho os alforjes, encilho montaria, separo dois ou três odres de vinho, aperto sua mão e desejo boa viagem. Talvez tenha chorado uma ou duas vezes. Não na primeira e nunca mais depois de tantas. Nem é disso que você se ressente, mas do fato de que eu sempre lhe recebo em surpresas. Não há espera em meu olhar, a cama está feita. Você desmonta, passa a vista na pilha de livros, na xícara fumegante ao lado da cadeira de balanço, nas curvas cada vez mais alargadas do corpo, nos riscos cada vez mais fundos na pele, bate a poeira da rua, bebe da minha boca, resmunga saudades, desfaz minhas roupas ou planos. Concedo. Aprendi desde cedo a tratar bem as visitas.

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Eu hoje tenho muito menos livros que há 5 ou 10 anos. Uma série de fatores me levaram a doar uns tantos e comprar menos (oi, kindle). Mesmo assim ainda lotam algumas prateleiras. Olho para eles com uma dorzinha que não sei definir direito. Gosto que eles estejam comigo mas me machica reconhecer que não terei tempo e vontade para relê-los.

Eu tenho muitos e bons amigos. E alguns nem são livros.

Já faz tempo que a escrita é em espasmos mas eu ainda estranho.

Estranhar é das minhas palavras favoritas de sempre, nem sempre no mesmo sentido.

Você lembra quando você ainda não era uma vontade em mim e eu não era devastação em você? Nem eu.

2 comentários em “Tengo te extrañado

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