Quase

Eu acho bonitinho quando você ri e seu olho fica miudinho e um monte de risquinhos dão vislumbres das histórias que são suas e gosto quando o riso vai virando outra coisa, meio quente meio fome e aí eu já não tenho tempo de achar mais nada e só me perco.

É vontade isso que faz sentir como se. Não sei se a distância maior é da geografia ou do calendário.

Aliás, toda viagem no tempo é também uma viagem no espaço.

Uma vez ele me disse que meus olhos eram um encontro de Capitu e Bette Davis. Por ele dizê-lo, quis ter um coração pra lhe dar.

Tem muita coisa pra amar na Colômbia. Começando pelo inesquecível suco de manga verde com sal na borda do copo.

Eu sinto saudades de Lisboa. E eu também sinto saudades da vida que eu pude viver.

Minha irmã ligou e disse: tenho um peixe inteiro, quer fazer amanhã? Então, fizemos. Levei uns camarões para ver se rolava. Rolou. Limão, sal e alho no peixe. A travessa: duas voltas de papel alumínio, batata em rodelas finas e pré-cozidas, cebola roxa, pimentão amarelo. Depois que o peixe tomou gosto, seca com papel toalha, recheia com camarão, mais cebola e pimentões temperados azeite, sal e pimentinha. 35 minutos coberto, mais uns dez sem papel e o cheirinho de gostosura pela casa.

Ontem foi a final da superliga masculina de vôlei e ver o ginásio cheio, a vontade dos jogadores, a alegria dos campeões, tudo isso me fez lembrar que a vida segue.

O pior de só ter cinema no shopping, bom, é ter que ir ao shopping.

Uma atividade que me tranquiliza: ver alguém afiando o gume da espada.

O meu segredo é que eu quase fui feliz.

 

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