Caderninhos

Gosto de pensar que sou inteligente como o Tyrion ou sagaz como a Sansa – já que certamente não sou brava como a Arya – mas a verdade é que se eu fosse alguém na guerra dos tronos provavelmente teria minha cabeça decapitada na primeira temporada.

Não somos perfeitos e acabados, nem mesmo nossas bandeiras e demandas o são. Mas, pelamor, já passou da hora de aprendermos que tem coisa que não se faz. Não porque somos moralmente superiores mas porque não condiz com o que ardorosamente bradamos. Sério que estamos conferindo legitimidade a ataques advindos do boletim escolar de alguém ao mesmo tempo em que sustentamos o legado de Paulo Freire?

Viver mata.

Tenho caderninhos de quando eu tinha sei lá quantos anos. A única luciana que eu lembro antes da luciana-que-escreve é a luciana-que-lê. Mudar para este blog é meio o gosto de começar a escrever num caderninho novo, de capa dura estilosa, páginas pautadas e encadernação bonita.

Blogar é uma forma de manter a cabeça fora d’água.

Acho engraçado estes programas de culinária: “ah, é possível cozinhar em meia hora”, aí a pessoa tem carne descongelada, legumes picados, caldo de galinha previamente preparado e sei lá mais quanto coisa porcionada, temperada, arrumada, panelas variadas, não sei quantas bocas do fogão funcionando ao mesmo tempo…

Comida que demora é amor. Tipo mão de vaca.

O primo do nhoque com o concunhado do ragu passaram aqui no almoço.

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Vi o trailer da terceira temporada de Handmaid’s Tale e me parece que perdemos a capacidade de lidar com obras abertas, com inquietações e dúvidas. É preciso responder a tudo, não deixar brecha, encontrar e apresentar todas as soluções e saídas.

O meu in love com o kindle só não é completo porque lhe faltam: cheirinho e número de páginas.

Não há perto ou longe quando se está dentro.

Eu não esperava. Eu não sabia. E, agora, ficou tudo misturado dentro de mim. Eu não sei o que dizer, nem como dizer. Mas gostei e isso me perturba. Porque eu não sabia. Eu não esperava. Agora, espero.

Saúde: o abraço espontâneo do sobrinho, a panela no fogo, visitas comprando passagens, ouvir luiz gonzaga e ansiar junhos, a nova turma de psicologia, receber comentário da Iara, por causa dela lembrar o cheiro de leite na cabeça de neném.

Perdi a conta de quantos blogs “a mais” já comecei. Não é este o empreeendimento. Tõ fechando a bodega lá no Borboletas e trazendo os soluços pra cá. Vamos ver se pego no tranco também dessa vez.

2 comentários em “Caderninhos

  1. well, well, well, Gabriel….
    isso dever querer dizer alguma coisa, não sei o quê.
    são três da manhã e acabei de chegar de uma noite despretensiosa.
    e boa.
    beijos e longa vida (ou boa vida, talvez) ao caderninhos.
    a gente seguirá te chamando de borboleta.
    pq vc é.

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